Pintura: Thaulow
Entre o dentro e o fora, uma janela
a marcar o lugar onde,
num rasgo de luz,
nascem os meus dedos
para abrir portadas.
Fala-me de ti, esta paisagem
a orvalhar ternuras
por cima dos meus ombros.
É uma linguagem de água que absorvo
como quem bebe o amor, em drageias,
a horas certas.
Fecho a janela e não durmo.
O sono não repara
os cansaços do não vivido.
Lídia Borges
25 comentários:
Fecho a janela e não durmo
O sono não repara
os cansaços do não vivido... Muito bonito Lídia. Parabéns por sua poesia!
Grande beijo.
Que posso dizer deste excelente poema? Que é excelente...e fiquei soletrando a última frase «O sono não repara os cansaços do não vivido»
Bj.
Manuela
Amiga Lindíssimo poema. Quantas vezes o sono leva tempo a chegar e mesmo dormindo de manhã a sensação de vazio permanece no nosso peito.
Relativamente a só conseguir comentar como "anónimo", eu também tive esse problema, mas disseram-me uma forma de contornar essa questão e comigo tem dado resultado.
Quando saímos do blog, devemos fechar a sessão, depois quando voltamos a entrar é pedida a nossa senha e nessa altura deve ficar vazia (sem o pico) a caixa que diz "manter a sessão iniciada".
Beijinhos
Maria
Lidia,
O meu beijo... e saudades!!!
AL
Desta janela, nesta vida, olhamos a falta do viver.
As suas palavras tocam a alma do leitor.
Bj
oa.s
Mais uma bela história de amor daquelas que eu gosto. Cheia de dor e de melancolia.
Muito bonito. Vou copiar para o meu caderninho.
Obrigada.
Beijinhos
Soberbo!!! É tão grande o seu poema, em sensações e imagens, que eu não saberia nem comentar...
Beijos
Lidia
Como sempre para ler e até a musica nos convida a repetir a leitura.
Tenho passado poucas vezes, mas não esqueci o caminho. Um beijo.
Que a Paz e a Luz iluminem os teus passos.
Os sons do não vivido... que nos ensombram as noites de insónia, e nos entanto, nos parecem tão familiares, perante certas paisagens. :)Beijo
Sei
que a paisagem que fala de mim não te enternece
Como poderia enternecer?
Se o leito do meu rio secou,
se o caminho deixou de o ser
à falta de gente para o percorrer,
se as árvores tombaram com o vento norte
e se sobre o escasso casario, paira um silêncio de morte?
Nada que uma nova Primavera não resolva
e a tua memória me absolva
A mim, é o sonho que repara
os cansaços do não vivido
E não repara mesmo... Acentua!
Lindíssimo poema! como comentar mais? difícil escrever sobre a beleza mais fácil é ler e sentir...
Bjs
Às vezes, não há palavras que possam dizer em plenitude, como entra na alma um poema. É este o caso.«Fecho a janela e não durmo.
O sono não repara
os cansaços do não vivido»
Sem mais comentários digo simplesmente: Sublime.
Bjito amigo e uma flor
fala que admiro...
beijo, lídia!
E quanto mais dormimos mais queremos viver, o que a paisagem nos lembra.
beijo
Realmente, há momentos em que uma paisagem marca de uma forma tão profunda, que, sempre ao vislumbrá-la, transportamo-nos aos belos momentos vividos, em doses homeopáticas.
Beijos e muita paz pra ti.
Furtado.
OVERDOSE
Drageias…
ah, se as houvesse para o sonho!
Hoje mesmo ignorava
a prescrição e engolia-as duma só vez.
Depois…
Depois repousava numa nuvem qualquer
desde que imaculadamente branca
e aguardava o momento certo para me aspergir
irreversivelmente.
Beijinho
João
Lindo o teu poema, amiga Lídia.
Um abraço fraterno. Tenha um bom dia.
Lidia querida
É dificil comentar um poema, principalmente quando ele diz tudo.
"fecho a janela e não durmo
O sono nem repara
os cansaços do não vivido".
Sublime.Beijinho muito grande
A boca fala o que a Alma diz ao Coração.Amei o pema ,está soberbo.
Beijo meu.
Olá
Soberbo!Parabéns!
"fecho a janela e não durmo
O sono nem repara
os cansaços do não vivido".
Uma realidade que conheço.
Bjs.
Lindos os seus poemas, Lídia! Gostei muito do blogue!
Obrigada pela visita:)
Um beijinho
justamente por não reparar o sono
os cansaços do não vivido
brota em uma doce alma
toda a água do amor
...
Um poema majestoso,
Lídia.
Carinhoso beijo.
"Entre o dentro e o fora, uma janela", e o sono é, apenas, o descanso das palpebras para quem tem nos olhos um campo de girassois a beberem paisagem.
Um abraço
"Fecho a janela e não durmo. O sono não repara
os cansaços do não vivido." Hoje isto assenta-me como uma luva. Adorei. Beijinhos ;)
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