domingo, 12 de junho de 2011

Mar

Voar já não tem mistérios.
Sobre as nuvens tudo se pode acabar
num décimo de segundo sem razões ou enigmas.

Já o mar é uma gigantesca arca de sótão
plena de segredos por desvendar
Um precipício onde tudo pode começar
De um segundo para o outro
espantos e temores de um obscuro universo
de algas viscosas, monstros e naufrágios.
  
Mas também o êxtase completo quando
a luz toca a água e faz esvoaçar
repentinamente
milhares de borboletas de prata.
E os nossos olhos ardem
desacostumados ao  brilho
à transparência, ao milagre.
A vertigem verde do abismo clama por nós
como canto de sereia, sedutor...
Resistimos.
Porque o mar é um lugar
impróprio para se morrer.

Fosse a morte bela e talvez!...

Mas no mar só ela,
a própria morte, pode morrer.
Só ela sufoca perante o sortilégio da Vida
e vencida, despe a sua capa de imortalidade
Com que nos tenta enganar.

14 comentários:

marlene edir severino disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Valquíria Calado disse...

♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...
Toda palavra de amor é luz, então vim trazer-te pra o dia dos namorados um pequeno brilho pra semear no teu coração, meu carinho amigo.

♥...FELICIDADES PRESENTES E SONHADAS.

Eu cantarei de amor tão docemente, por uns termos em si tão concertados, que dois mil acidentes namorados faça sentir ao peito que não sente.
Luís De Camões
♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...♥...

Unknown disse...

Voar assim só a nossa imaginação.
Acreditar na eternidade só mesmo a ilusão.
Sofrer desenganos apenas o coração.

João de Sousa Teixeira disse...

Até mesmo neste alexandrino de aluvião,
voar é talvez a arte que eu nunca deixe:
sobre tudo plano no meu imaginário balão,
ao passo que o mar, apenas me lembra peixe…


Este alexandrino de férias e um beijinho de bom domingo. O computador não bate bem, mas sou eu
João

A.S. disse...

Mar!
Onde posso beber sol e liberdade
Longe de angústias e de medos
Sentar-me no colo dos rochedos
Perder-me no azul que me invade
E contar ao mar os meus segredos!


Beijos!
AL

Flor de Jasmim disse...

Lídia querida
Linda a imagem...lindas e fortes estas palavras. adoro o mar e encontrei aqui muito que tem a ver comigo.
Beijinho

marlene edir severino disse...

Um eterno recomeçar,
traduzido nas ondas do mar,
singular a cada quebrada, a cada chegada
na areia...

Carinhoso abraço, Lídia

Marlene

Graça Sampaio disse...

O sortilégio do Mar: fusão de Vida e Morte, mas tão belo, tão chamativo, tão penetrante, o Mar!

E que bem definido neste poema.
Parabéns!

quanto pesa o vento? disse...

obrigado Lídia.
gostei muito de conhecer os teus textos.
voltarei.
abraço.

dade amorim disse...

Só mesmo os poetas para quebrar a monotonia das crenças eternas. A isso se chama criação, quando tudo se torna possível.

Um beijo, Lídia.

Rogério G.V. Pereira disse...

Veio o mar
Se queixar
em murmúrios de desalento
não compreendendo
tudo
o que o poeta tinha
em seu pensamento
Dizia não ser culpado
do que tinha dentro de si
de ser imenso
conter segredos e medos
Furiosa uma sua onda
rejeitava impetuosa
que só nela
a própria morte, poder morrer

Afaguei-a piedoso quando recuava
e se prestava
para repetir seu rebentar
Disse-lhe
Deixa mar
Nos dias em que estão tristes
e de mal estar
os poetas divagam
sobre os destinos à morte dar

Esquecem que a eternidade está na sua obra
E, do resto, pouco mais sobra

Dilmar Gomes disse...

Lindo poema, amiga Lídia . Contrariando o seu poema, um compositor brasileiro, que morreu há pouco, ou seja, Dorival Caimi, disse numa de suas músicas: " É doce morrer no mar...


É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi prá mim
É doce morrer... (2x)
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou
É doce morrer... (2x)
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
É doce morrer.

Então, amiga, gosto da música, mas não acho legal essa história de morrer no mar,
prefiro o fecho do teu poema:
Mas no mar só ela,
a própria morte, pode morrer.
Só ela sufoca perante o sortilégio da Vida
e vencida, despe a sua capa de imortalidade
Com que nos tenta enganar.

Um grande abraço. Tenha uma ótima semana.

OceanoAzul.Sonhos disse...

Lídia, poema imponente, tal como o mar.
Beijos
oa.s

Mª João C.Martins disse...

Lídia

Somos, ar, mar e água, sintonia azul na profunda latitude de todo o universo. Não existirão monstros marinhos nem estrelas sem brilho se deixarmos que a vida vença, tão límpida e fluída quanto uma gota de água, que caída do céu procurará sempre o mar, não para morrer, mas para viver de novo.

Retomo hoje a leitura dos teus trabalhos. Hoje, porque a saudade me impele, apesar do cansaço.

Um abraço... um grande abraço!