Voar já não tem mistérios.
Sobre as nuvens tudo se pode acabar
num décimo de segundo sem razões ou enigmas.
Já o mar é uma gigantesca arca de sótão
plena de segredos por desvendar
Um precipício onde tudo pode começar
De um segundo para o outro
espantos e temores de um obscuro universo
de algas viscosas, monstros e naufrágios.
Mas também o êxtase completo quando
a luz toca a água e faz esvoaçar
repentinamente
milhares de borboletas de prata.
E os nossos olhos ardem
desacostumados ao brilho
à transparência, ao milagre.
A vertigem verde do abismo clama por nós
como canto de sereia, sedutor...
Resistimos.
Porque o mar é um lugar
impróprio para se morrer.
Fosse a morte bela e talvez!...
Mas no mar só ela,
a própria morte, pode morrer.
Só ela sufoca perante o sortilégio da Vida
e vencida, despe a sua capa de imortalidade
Com que nos tenta enganar.

14 comentários:
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Toda palavra de amor é luz, então vim trazer-te pra o dia dos namorados um pequeno brilho pra semear no teu coração, meu carinho amigo.
♥...FELICIDADES PRESENTES E SONHADAS.
Eu cantarei de amor tão docemente, por uns termos em si tão concertados, que dois mil acidentes namorados faça sentir ao peito que não sente.
Luís De Camões
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Voar assim só a nossa imaginação.
Acreditar na eternidade só mesmo a ilusão.
Sofrer desenganos apenas o coração.
Até mesmo neste alexandrino de aluvião,
voar é talvez a arte que eu nunca deixe:
sobre tudo plano no meu imaginário balão,
ao passo que o mar, apenas me lembra peixe…
Este alexandrino de férias e um beijinho de bom domingo. O computador não bate bem, mas sou eu
João
Mar!
Onde posso beber sol e liberdade
Longe de angústias e de medos
Sentar-me no colo dos rochedos
Perder-me no azul que me invade
E contar ao mar os meus segredos!
Beijos!
AL
Lídia querida
Linda a imagem...lindas e fortes estas palavras. adoro o mar e encontrei aqui muito que tem a ver comigo.
Beijinho
Um eterno recomeçar,
traduzido nas ondas do mar,
singular a cada quebrada, a cada chegada
na areia...
Carinhoso abraço, Lídia
Marlene
O sortilégio do Mar: fusão de Vida e Morte, mas tão belo, tão chamativo, tão penetrante, o Mar!
E que bem definido neste poema.
Parabéns!
obrigado Lídia.
gostei muito de conhecer os teus textos.
voltarei.
abraço.
Só mesmo os poetas para quebrar a monotonia das crenças eternas. A isso se chama criação, quando tudo se torna possível.
Um beijo, Lídia.
Veio o mar
Se queixar
em murmúrios de desalento
não compreendendo
tudo
o que o poeta tinha
em seu pensamento
Dizia não ser culpado
do que tinha dentro de si
de ser imenso
conter segredos e medos
Furiosa uma sua onda
rejeitava impetuosa
que só nela
a própria morte, poder morrer
Afaguei-a piedoso quando recuava
e se prestava
para repetir seu rebentar
Disse-lhe
Deixa mar
Nos dias em que estão tristes
e de mal estar
os poetas divagam
sobre os destinos à morte dar
Esquecem que a eternidade está na sua obra
E, do resto, pouco mais sobra
Lindo poema, amiga Lídia . Contrariando o seu poema, um compositor brasileiro, que morreu há pouco, ou seja, Dorival Caimi, disse numa de suas músicas: " É doce morrer no mar...
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
É doce morrer no mar
Nas ondas verdes do mar
A noite que ele não veio foi
Foi de tristeza prá mim
Saveiro voltou sozinho
Triste noite foi prá mim
É doce morrer... (2x)
Saveiro partiu de noite foi
Madrugada não voltou
O marinheiro bonito
Sereia do mar levou
É doce morrer... (2x)
Nas ondas verdes do mar meu bem
Ele se foi afogar
Fez sua cama de noivo
No colo de Iemanjá
É doce morrer.
Então, amiga, gosto da música, mas não acho legal essa história de morrer no mar,
prefiro o fecho do teu poema:
Mas no mar só ela,
a própria morte, pode morrer.
Só ela sufoca perante o sortilégio da Vida
e vencida, despe a sua capa de imortalidade
Com que nos tenta enganar.
Um grande abraço. Tenha uma ótima semana.
Lídia, poema imponente, tal como o mar.
Beijos
oa.s
Lídia
Somos, ar, mar e água, sintonia azul na profunda latitude de todo o universo. Não existirão monstros marinhos nem estrelas sem brilho se deixarmos que a vida vença, tão límpida e fluída quanto uma gota de água, que caída do céu procurará sempre o mar, não para morrer, mas para viver de novo.
Retomo hoje a leitura dos teus trabalhos. Hoje, porque a saudade me impele, apesar do cansaço.
Um abraço... um grande abraço!
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