sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Ficar ou partir"

«Um nada que somos.»
Tanto!...
Útero, fonte e raiz
Universo de fôlegos emergentes
O caos a parir nova ordem
A nossa
Em delírios consumada.

A «finitude» rompe e edifica
É partir e ficar
Unificar
Fragmentos inconciliáveis
Nos desejos que desenhamos
Em espaços de sombra e luz.

As «máscaras» que usamos
São os rostos que temos
E negamos
As máscaras somos nós
Sentires efémeros                                                                  
«Inconsistentes e gelatinosos»
Que num ímpeto...
«Zás»... se apagam
E nos apagam
Na vertigem, faltamo-nos.

Ficamos ou partimos?
Nunca o saberemos com precisão.


* Este poema surgiu em diálogo com um texto do "Mil Conversas" e todas as palavras ou expressões entre aspas são retiradas desse texto "Partir ou ficar" com o conhecimento do autor.






Lídia Borges

20 comentários:

Jorge disse...

Depois de partirmos... ficamos sabendo.
Bj
J

Eva Gonçalves disse...

Ficamos e partimos numa eterna indecisão! Beijo

Rosa dos Ventos disse...

Ia dizer o que escreveu a Eva...

Abraço

Carmen Ferreira (FlorAlpina) disse...

Só depois de partirmos ficamos a saber que o melhor teria sido ficar...

Bjs dos Alpes

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Entre o sim e o não...verso e reverso de nós, voltando e deixando um beijinho.

Sonhadora

Artes e escritas disse...

Um poema de indecisões, bastante interessante. Um abraço, Yayá.

Anónimo disse...

Quando incorporamos a máscara, retirá-la e atirá-la longe é como nos fazer granada.

Jorge Pimenta disse...

querida amiga,
todo o percurso se faz de viagens, de partidas e regressos, idas e não retornos, voltas sem idas. se todas as máscaras nos cabem no rosto, nem todas nos servem nos pés que desenham o que de mais essencial no percorre: o desejo de ser e acontecer viajando. e, com a mochila nas costas, todo o caos, no asfalto da estrada, mais não é arrepio na voz escura da morte.
um beijo!

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Quantas máscaras não estão por detraz de bonitos rostos... quantas indecisões??? Quem não as tem.
Beijinho

Unknown disse...

eis a questão, um enigma que nos persegue no cotidiano e não carece de afirmativas


beijo

A Palavra Mágica disse...

"Não sei se eu vou,
Não sei se eu fico
Se eu fico aqui, se eu fico lá
Se estou lá tenho que vir
Se estou aqui, tenho que voltar." (Martinho da Vila)

Beijos!
Alcides

OceanoAzul.Sonhos disse...

Quantas máscaras, quanta aceitação ou rejeição de nós mesmos, do mundo, ficamos ou partimos, quem sabe...

Lindo poema.
Um abraço
oa.s

Maria Rodrigues disse...

Lindissimo poema minha amiga poetisa. Ao longo da vida partimos e morremos muitas vezes. Quantas vezes estamos presentes, mas a nossa alma está ausente.
Tenha um excelente fim de semana.
Beijinhos
Maria

Branca disse...

Querida Lídia,

Num mundo tão apressado, é difícil, mas necessário estarmos sempre atentos e à espreita dentro de nós mesmos e mesmo assim são tão poucos os momentos em que saberemos se ficamos ou partimos e de facto na vertigem quase sempre nos faltamos.

Muito lindo e profundo este poema.
Beijos

manuela baptista disse...

"eu por mim sou assim

quando chego aos portos embarco"

a precisão, é uma nota musical impecavelmente tocada


é rara

um beijo

manuela

Mª João C.Martins disse...

Permanecemos, iguais e diferentes.

Entre o alfa e o ómega, num fio de luz e sombra, à procura de azul e transparência. A incerteza é um estado impreciso e inerente à viagem.
Dentro do peito, sem máscaras, guardamos o lado mais real e o único inegável.

Ler-te,é como abrir uma janela de flores e aromas raros.

Um beijo

João de Sousa Teixeira disse...

Estamos sempre a partir dentro de nós...

Beijinho
João

Celso Mendes disse...

Ficar com uma máscara, trocá-la, tirá-la ou simplesmente partir, com ou sem máscara (temos muitas, qual usar?). Entre os passos e nosso reflexo o sopro do tempo a nos modificar constantemente. A entropia que se segue ao crescimento. Esse poema despertou-me algumas perguntas latentes, amiga. E toda escrita que nos toca é uma escrita que vale ser lida (e relida).

beijo.

AC disse...

Pois não, nunca saberemos...
Gosto dessa intensidade, Lídia!

Beijo :)

Parapeito disse...

penso que perderia a graça toda se soubessemos :)
Gostei deste pedacinho em que aqui fiquei*
brisas doces ***