Pintura de Gustave Caillebotte - Paris 1848
A luz madura do fim de verão
Infiltra-se nas ramagens das árvores
E um trémulo recolhimento
Ressoa já, ao de leve,
No dialecto dos pássaros.
O canto soa mais brando
Rente ao verde-seco do chão
Esculpindo uma dolente toada
Em demoras silabadas
No dorso cadente do tempo.
Insinuam-se as margens
De invernos infindáveis
Que emergem fleumáticos
E morrentes nas tardes
Em que a chuva se abriga
Dentro de nós.
Anoitecer como
Se ainda nem se fez dia?...

30 comentários:
É um verão que se vai, sem ter vindo.
Um dia que morre, sem sequer ter nascido.
É mesmo assim...
Beijos
Que lindas palavras, Lidia. Depois de uma noite ouvindo o barulho da chuva caindo, esta mensagem vem mesmo na hora certa. bjus
Olá Lidia
Um poema contemplativo onde as gotas da chuva nos marcam o tempo e o espaço das folhas descoloridas caídas no chão.
Eternas
belas noites
Poeta
Entre a melancolia deste sofrido olhar
E a raiva, igualmente sofrida
de ver outonos e invernias confundidos com a vida
Há uma (diria grande) diferença
Isto e tudo o mais nos separa, menos na crença
Um novo dia virá
É sempre esse o destino, quando a noite avança
Teremos nós em comum a esperança?
Olho a imagem da pintura, depois leio o poema, e consegui me transportar para a paisagem, e sentir os pingo da chuva na água.
beijo
Muito bonito.
Um abraço
o tempo deixa de existir
e o encanto toma corpo
e luzes
...
Beijo carinhoso.
E chove também na margem de cá...
E o tom melancólico de teu poema
"Em que a chuva se abriga
Dentro de nós."
deixou-me aqui, quieta, a sorver tuas palavras, descritas feito pintura.
Belo poema, Lídia!
Um afetuoso abraço
Marlene
Belissimas palavras.
(como sempre)
Boa semana pra ti querida.
=)
Oi Lídia! Passando para te cumprimentar e apreciar mais uma das tuas belas criações. Lindo poema. Adorei!
Beijos e ótima semana pra ti e para os teus.
Furtado.
Você percebeu o ar puro que permeia este poema? Maravilha! Um abraço, Yayá.
Os pássaros migrantes ou partiram ou preparam-se para partir. Nós adiamos o voo, não esperança.
Beijinho
João
Oi Lídia
Li em algum lugar, que nao há nada a fazer se teu corpo só pede pra ficar...como os pássaros indo e vindo a cada manhã.
Lindo seu poema,como a chuva que deixa o cherinho de coração molhado.
meu abraço
Adorei como sempre.
Geniais os dois últimos versos, principalmnete para quem como eu adora o cântico da chuva, as noites de Inverno e os dias serenos e felizes.
Para além disso Lídia quero agradecer-te o apoio no meu post de retorno. Entretanto não sei se chegaste a dar por ela de um eclipse que se deu no fim de semana, mas o Brancamar voltou mais pintado de azul, que é a minha côr preferida e trouxe uma praia de que muito gosto, principalmente em tempo calmo, mesmo em tempo de chuva...principalmente porque me lembra a paz dos meus tempos de menina e jovem mãe, os meus passeios à beira mar, os fins de tarde rodeada de gaivotas e belíssimos poentes.
Beijinhos
A delicadeza do verso na contemplação de um estado d'alma que toca o silêncio das paisagens...
Belos sentidos poéticos para estas "searas de versos"...
Genny
quando não se faz dia, ainda assim há dia
beijo
E dentro em pouco o sol incidirá sobre todas as coisas de uma forma nova.
Um beijo
Minha querida
Por vezes anoitece antes que chegue o dia.
Como sempre lindo.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Absolutamente adorável este poema feito no "dorso do Tempo"! E a pintura...também magnífica....
Gostei e pretendo voltar!
Um brinde nostálgico ao Outono que vem chegando, sem ter acontecido Verão...a chuva abriu sinais de vida nos dias que vamos vivendo...
Um poema que nos refresca por entre a dança das folhas e o respirar compassado das gotas da chuva!
Beijo
Graça
Que belo encontro aos meus sentires, naquele que foi um duro dia de diagnósticos de saúde dos meus pais.
Bela a interrogação retórica final.
E a chuva... sim, essa sempre minha para amenizar os meus estados de fúria.
(interpretação mto pessoal do seu poema)
Abraço,
Paulo
Há na luz madura, uma visão mais real do contorno das margens. Há no fim do Verão uma promessa renovada; é que para além do Inverno que se aproxima, um novo ciclo recomeça.
Anoitece tantas vezes, quantas o dia amanhece...
Que bom que é vir aqui!
Beijinho
Talvez, Lídia, em certos momentos, a chuva que chove lá fora nem sequer nos molhe, porque é de dentro que a tempestade surge, maior e mais forte.
Aí, amiga, há para nosso gáudio, a certeza de paz "No dialecto dos pássaros" e, uma emoção minha, de aqui te ler, em "dialectos", também :).
Beijo, Lídia, saudoso e amigo.
Belíssimo, sempre!!!
Mel
Vi que não publicou o meu comentário e fiquei triste, dizia algo sobre os doia últimoa versos, precisamente porque me pareceram muito bons, mas tavez não soube expressar-me.
Também lhe comentava algo sobre que "já não tinha tempo", referia-me simplesmente à idade que tenho. Espero que não me tenha interpretado mal.
Vi que não publicou meu comentário e fiquei triste, referia-me aos dois últimos versos precisamente porque os achei muito bons.
Falava algo do tempo, o que me resta de vida, que não é muito pela idade que já tenho.
Espero que não me tenha interpretado mal
"A luz madura..." deu belo fruto!
Adoro as chuvas que nos lava a alma, intensifica os aromas, limpa a poeira dos caminhos...
Este teu poema me fez sentir os pingos d'água a cobrir-me o corpo de sensações.
Abraços
oi oi oi magnifico poema este!!
não gosto muito de chuva mas adoro o tempo fresquinho com algum solinho.
bom fim-de-semana querida!! beijinhos fofinhos!!
por acaso minha epoca favorita é o outono e tambem a primavera. fica bem amiga.
que bonito
palavras feitas gotas de chuva
que nos refrescam a pele
brisas doces***
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