domingo, 7 de agosto de 2011

Meu Amor

                                                                                                               Pintura: Brusilov Stanislav

Já não permanecemos nas palavras
Como no tempo das árvores em flor.
Desprendemo-nos delas
Logo que envelheceram e perderam
A sua origem pura e poética.

Desprendemo-nos delas
Como chama de um fogo extinto
E não dizemos mais lírios,
Perfume ou paixão
Não dizemos mais: “Meu Amor”.

E amar é agora estar sentado
À sombra de uma árvore
Cujos frutos amadureceram
E caíram antes de ser verão.
E nós, ingénuos
Sem nenhum preparo para os acolher.

Mas inexplicavelmente
Não desaprendemos os gestos
E os seus desígnios
No quebranto deste tempo imperfeito
Não desaprendemos o leito da seiva
Que corre no corpo ameno do olhar.

E permanecemos ainda  de mãos dadas.

Meu Amor!

20 comentários:

Anónimo disse...

Poema cheio de gestos do que restou, do que ainda persiste, apesar de...

Lindo!

chica disse...

Que lindo esse amor! Adorei! beijos,tudo de bom,chica

MM - Lisboa disse...

Que bonito! Que continuem assim, de mão na mão ad-eternum! Essa e uma forma linda de amar!

Catarina disse...

Muito bonito, Lidia.

Graça Sampaio disse...

Que belo! Que sereno! Que bem define e exalta o amor de muitos anos! Com as palavras exactas. Com as imagens exactas.
Muito bonito (as usual...)

Unknown disse...

ter mãos dadas é acontecimento de peles, repara que até os passos se comovem


beijo

Rogério G.V. Pereira disse...

Percorro o poema
palavra a palavra
verso a verso
espaço a espaço
Releio cada estrofe
não
para apanhar
qualquer contradição
mas para saborear
essa maneira de sentir
essa maneira de estar

Amor é isso,
depois de outra coisa
ter sido...

Val Cruz disse...

Lídia, hoje na tua escrita para essa postagem, me fez sonhar... Lindo! "No quebranto deste tempo imperfeito Não desaprendemos o leito da seiva Que corre no corpo ameno do olhar... E permanecemos ainda de mãos dadas."


Meu beijo e meu carinho. Boa Semana!!

João de Sousa Teixeira disse...

DO AMOR, EM ALEGRIA INCOMPLETA


Deslizo
enquanto duro,
água, êmbolo por instantes.
Hoje estive um pouco mais dentro de ti.

Doceamargo fruto (e tão fundo cala)
que já não sei se subo à árvore
ou se é a árvore que me escala.

Beijinho
João

Mª João C.Martins disse...

Lídia

O amor veste-se assim, das folhagens que se resguardaram do silêncio dos invernos. Sabem elas, como nós, o quanto o vento fala quando passa por elas e nada mais se diz, do que parece estar dito, enquanto as mãos percorrem tudo o que lhes ensinou o tempo no amadurecimento dos frutos que nos cairam no colo, muito antes de o sabermos.

Como o tanto de que a tua poesia fala...

Um beijinho

Mateus Medina disse...

É bom quando mesmo sem palavras, os gestos conseguem expressar tanto amor.

Lindo, adorei!

Beijos

Nilson Barcelli disse...

O amor pode perdurar para além do tempo de vida das flores...
Excelente poema, gostei.
Querida amiga Lídia, tem uma boa semana.
Beijo.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Como é bom no Outono as árvores darem as mãos...em silêncio...apenas um olhar a vestir-se de amor.

Deixo um beijinho
Sonhadora

Anónimo disse...

Dai-me algumas palavras,
- porém, somente algumas! –
que às vezes apetece,
pelos jardins da areia,
colher flores de espuma.


Cecília Meireles

Beijos e meu carinho....M@ria

lupuscanissignatus disse...

re.atar

o

laço



[da extinta
luminosidade]

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

Um amor que perdurou...

O toque das mãos é mágico!

Bjs.

manuela barroso disse...

Minho, também minha terra
Gerês à vista,
na beleza da serra!
E...na albergaria, ou entre ou choupais, poder usar ainda as palavras com outra cor, mas com a mesma dimensão!
Uma linda reflexão poética!
Bjis

Celso Mendes disse...

Que belo, Lídia. Da serenidade de quem amadurece um amor cultivando-o sempre.

beijo.

Primeira Pessoa disse...

lídia,
que poema bonito.
um poema claro, transparente, como deveria ser um poema.

deixo um abraço pra ti.


roberto.

Engenholiterarte disse...

Olá, pessoa linda! quem escreve assim espanta as sombras...

Beijos, Lídia.