domingo, 9 de outubro de 2011

Amor como em casa



Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.

Manuel António Pina
 in
 "Ainda não é o Fim nem o Princípio do Mundo.
Calma é Apenas um Pouco Tarde"


16 comentários:

Branca disse...

Muito bom este poema!
Diria como a minha amiga Elvira do blog Sexta-Feira, não sei se a poesia se comenta, porque ela é um estado único de alma, mas talvez a possamos interpretar segundo o nosso sentir e esta é sem dúvida uma poesia genial, com a marca do António Pina.

E lá vou eu tentar mais uma vez que o blogger me deixe publicar normalmente, de outra forma terei que continuar sem o meu mar, :)

Uau, parece que agora sim!

Beijos

OceanoAzul.Sonhos disse...

Lindíssimo!

abraço
oa.s

Isabel disse...

Lindo.Muito lindo, este poema de Manuel António Pina.

Um abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

As coisas que fazemos
e amamos
se escritas com a naturalidade
com que a gente as sente
saem assim simples, intensas
e tão naturalmente

(por isso é que as palavras
dos poetas nos tocam)

Mona Lisa disse...

Olá Lídia

Belíssimo poema de uma ternura tocante.

Bjs.

AC disse...

E assim, no filtro das coisas naturais, se respira o que se deve respirar...

Beijo :)

Fê blue bird disse...

Como palavras tão simples revelam a intensidade da alma do poeta.
"entro no amor como em casa" LINDO!

beijinhos

Guida Simão disse...

Obridada, não conhecia este espaço.
Mas, estou por aqui à cerca de 45 minutos e tenho tanto e tão agradáveis palavras para ver, Não lhe vou perder o rasto, tenho muito que aprender.
Boa semana.
Guida

Graça Pereira disse...

Deslumbrante este poema pela simplicidade como "ele entra em casa e no amor" Os poetas sabem dizer tudo de outra forma, com a intensidades das coisas de todos os dias!
Beijo
Graça

Mª João C.Martins disse...

E devagar, tudo regressa a casa. O amor tem a luminosidade das coisas simples que retornam às nossas mãos, sem nunca terem, verdadeiramente, saído delas.
Grande e imensa é a nossa casa e o amor dentro dela.

Tão belo este poema de António Pina...

Um beijinho Lídia

Palavras Vagabundas disse...

Lidia, vim agradecer a visita! E os amigos do Rogério são meus amigos, seja bem vinda lá em casa!
bjs e boa semana
Jussara

Jorge Pimenta disse...

"regresso devagar ao teu / sorriso como quem, volta a casa." não será este verso todo um poema, já?
um beijo e um sorriso para todas as viagens de destino anunciado!

Graça Sampaio disse...

temas recorrentes em M. Antóno Pina: a casa, as palavras, o amor.
Muito bom!

Mar Arável disse...

A complexidade do simples

Lilá(s) disse...

Os poetas têm este dom de nos tocar bem fundo...que ternurento poema!
Bjs

Chinezzinha disse...

belíssimo!
O M.António Pina é excecpional.
beijo