florestas onde procuro envelhecer
para aprender cansaços
Nenhum livro porém me esgota nem eu
me esgoto nas páginas que palmilho
E o pior é que das árvores que toco
nenhuma me dá a sua sombra para abrigar
as lembranças do que fui ou do que serei.
Refugio-me nos subúrbios das cidades às vezes
E, às vezes, perguntam-me o que faço ali
e eu não sei responder
porque o bulício das cidades tem lugares secretos
onde se pode mergulhar como só se mergulha
na raiva ardente de um deserto
Hei-de refugiar-me no vento quente que passa
à espera de uma raposa nocturna
que me fale dos seus passos enegrecidos e solitáriosQuem me quiser encontrar agite levemente uma rosa por colher
A verdade do seu perfume há-de revelar-me o trilho do retorno

18 comentários:
De dúvidas existenciais nenhum ser pensante se pode livrar. Mas conhecer que no perfume da rosa ficou o seu trilho, somente muito poucos tem a felicidade de saber.
Beijo, amiga!
LINDO!!!
Também não lhe sei responder, mas que este refúgio com que nos brindou é tão belo e puro, isso posso lhe dizer.
beijinhos amiga Lídia
Porventura é apenas seiva, oxigénio ou somente o perfume de cada botão prestes a ser flor.
Então?! Estou a agitar a rosa…
Beijinho
João
Eu além de não saber responder não sei sequer dizê-lo assim!
Encontro aqui um vírus quando abro o blog, passa-se o mesmo com outras pessoas?
Abraço
Senti o aroma da sua alma.
abraço Lidia
oa.s
Lídia minha querida
Lindo refúgio este!!! Amei por e simplesmente.
Beijinho e uma flor
Permite-me que responda à nossa amiga Rosa dos Ventos.
Não Rosa comigo não acontece.
Beijinho
Não sei se foi o agitar da rosa, mas hoje decidi abrir o blogue e tive a grata surpresa de já poder comentar!!!
Beijo, Lídia.
Trilhos em aromas de rosa. Delicados, singelos, verdadeiros. Lindo, Lídia. Beijinhos ;)
Quer encontrar-te
e fez o que disseste para ser feito
Fê-lo sõfrego e sem jeito
O espinho, afiado, também cumpriu o destino
A dor? Nem a sentiu. Acho que não lhe doeu,
è-lhe mais forte a esperança de que cumpra o último verso teu...
(eu, raposa noturna, tomei uma decisão...)
dulcissima agitação da rosa. ante o orvalho que a cobre...
... e dos dedos que a irão colher!
belissimo.
beijo
Quem assim se exprime, decerto encontra dentro de si respostas para as duvidas existentes.
Lindíssimo o teu dizer Lídia, como sempre. Gostei muito de te ler falando dos livros e dos lugares secretos do bulício das cidades, porque eu também conheço uns muito especiais na minha cidade, onde há muitas "aldeias" e gentes que te afagam, que te abraçam, :) e quando queres mergulhar mais fundo, com essa raiva e força que nos pede solidão, há sempre um caminho onde o perfume das rosas se estende...até ao mar e te traz de regresso.
Adoro rosas e esta é tão bonita!
Beijos perfumados, :)
Branca
Estou a agitar a rosa...sinto-lhe o perfume...
Bjs
Quem tem um alma tão imensa não se esgota. Nunca.
Muito belo, Lídia.
Um beijinho
às vezes as raposas também me falam
por isso sei
das cidades e dos desertos, infinitamente iguais
parecendo, não
como os trilhos
um beijo
Minha querida
O perfume da rosa ainda está nas tuas mãos e deixas aqui as pétalas em palavras escritas por dentro do tempo.
Deixo um beijinho com carinho
Sonhadora
Lídia
Das perguntas sem resposta, entre páginas e cansaços, os desertos também são lugares onde a solidão nos aponta o melhor caminho. Aquele, onde se refugiam todas as nuances do perfume de uma rosa. E é aí que descobrimos, tantas vezes, que a existência é, por si só, um lugar secreto, cujo trilho se desenha nos versos de um poema.
Tão próximo...
Um beijinho
É, de facto, assim que muitos de nós se sentem. Que fazer?
(A rosa é linda! Como o escrito, aliás e de igual modo brilhante.)
Beijinho
Enviar um comentário