sábado, 8 de outubro de 2011
Reaprendendo
Meus olhos já cansados
Catam o erro não errado.
Ah!.. Este acordo que não acordei!
E foi dormindo que esperei
Ser um engano consentido
O escrever que hoje estranho
Deste modo transvestido.
Corto letras, hífenes, acentos.
Maiúsculas perdem direitos
E o direito sai torto
Quando a lei é ponto morto.
Sob a minha atenção passam
Palavras decepadas.
Minto-me. Desminto-me
Sigo em frente, volto atrás
Em dança desengonçada
Receção - para receber
Para perceber - Perceção
Ou não!
Objecto também não - objeto
E o c lança seu grito de indignação
O eco sobe no teto que como se vê
Inquieto, deixa cair o c.
O inseto perde uma asa
E deixa de voar
Em ato imediato.
E no meio da confusão
Eu não ato nem desato
Já nada me sai da mão.
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19 comentários:
Simplismente Lindo! Uma oração feito poema! Um desabafo de paixão.....
Tenhas um fim de semana regado demuito amor
Preciosa Maria
Ei Lídia!
Linda poesia.
Adorei ler.
Bom final de semana
Gdbeijo
Minha querida
Como sempre de letras soltas fazes um poema maravilhoso.
E eu ainda continuo a escrever como sempre...e vou continuar, assim aprendi.
Deixo um beijinho
Sonhadora
Muito interessante Lídia! Versejar também se torna difícil. Hoje mesmo comentei um ensaio da Graça a propósito do Outono, perdão outono. Vês, já estou baralhada, mas como não sou agente de ensino, recuso-me a tirar-lhe a importância de estação tão linda que é, aliás como todas as outras, que foi o mesmo que a Graça nos quis dizer.
Adorei.
Beijos
Bom dia...
Gostaria de puder partilhar este poema num Grupo que recentemente criei no facebook (porque actualmente, para o bem e para o mal, esta rede Social tem muitos "assistentes"), intitulado:
"DES(acordo)ORTOGRÁFICO - Reage!! A "TUA VOZ" é fundamental!"
https://www.facebook.com/groups/257965437578126/
Grupo este que pretende dar expressão a todos aqueles que tiverem uma opinião, no mínimo contraditória ou de dúvida, perante este AO90.
É um Grupo composto por artigos de opinião, através de prosa, verso e mesmo alguns recortes animados.
Este poema "Reaprendendo", agradou-me de sobremaneira que não consegui resistir a fazer-lhe este pedido.
Aguardo, se possível, por uma resposta da sua parte.
Atenciosamente,
Alexandre Murraças
Muito interessante o poema. Acho que todos os países de língua portuguesa tiveram suas dificuldades em se adaptar às mudanças abruptas impostas pelo acordo ortográfico. Mas sinto que, curiosamente, em Portugal, berço do idioma, é que o impacto foi maior. Nunca concordei com isso. Acho que as regionalidades deveriam ser respeitadas e que simplesmente se criassem fórmulas que permitissem a integração gradual dessas diferenças no sentido de que se mantivesse o perfeito entendimento entre os diferentes países que falam o português.
Um beijo e ótimo final de semana!
Lídia
Que posso eu dizer-te minha querida perante tais palavras.Adorei.
E também eu não estou de acordo com o acordo.
Beijinho e uma flor
Revejo-me em cada verso! Nunca o quis aceitar na esperança que não fosse implementado como que por magia... e leio e releio cada vez mais palavras decepadas como dizes... e fico confusa, zangada, baralhada, amuada... rsss mas inevitavelmente, lá mudaremos todos aos poucos... mas que é um sacrifício, lá isso é... beijinho e bom fim-de-semana!
Catando o erro não errado
Versando
Num poema belo e bem esgalhado
Não será anti-pedagógico apresentá-lo numa aula...
(eu, por mim, não sei o que fazer com o que ando a escrever)
Rogério
Pois aqui me tem solidário - e que não nos apelidem de velhos do Restelo - porque a língua assim travestida não morde; mata a lígua.
Escrevi, para experimentar, húmido sem agá e fiquei com a sensação de ter lavado as mãos e não ter encontrado a toalha...
Beijinho
João
Lídia,
Apesar disso
teu poema, como sempre,
um primor!
Bom sábado, querida!
Abraço daqui!
Marlene
A Maria João do "Pequenos Detalhes" escreveu:
"Querida amiga
Como continuo sem conseguir deixar um comentário na tua "Seara". Envio-te por este meio.
Que construção poética fabulosa!
Um poema cheio de ritmo, musicalidade e humor que abraça um tema sério e controverso.
O que tu fizeste com algo que, também a mim, me confunde e cansa!?
Não estou de acordo com o acordo. Irei resistir até ao limite, a esta norma que me impõe considerar certo o que, para mim, será sempre errado.
Um beijinho, Lídia
Parabéns!!!
Pronto! Agora conseguiste. :)
Beijo
Olá Lídia
Soberbo desabafo poético do teu desacordo, com o qual concordo, do "inacreditável" acordo!
Bjs.
Que poema tao bem concebido! Muito bem! : )
Pois é, Lídia, que fazer com este espólio acumulado ao longo da vida, e que treme com um simples decreto?
Por mim, a nível profissional estou a adaptar-me, mas a nível pessoal, por enquanto, é a recusa total. Veremos...
Beijo :)
Querida amiga excelente poema. Sinceramente hoje sinto-me um pouco perdida no meio do novo acordo ortográfico e é frequente ficar sem saber como devo escrever certas palavrss, vai com o tempo ...
Bom domingo
Beijinhos
Maria
Lídia, excelente forma poetica de identificar e desacordar cortes em algo que tanto estimamos - as palavras.
um abraço
oa.s
quantas voltas dou para me alinhar com o acordo, mesmo que em desacordo ou quase a dormir. é tão pouco natural disciplinar-me para reverter toda uma aprendizagem consolidada.
beijinho!
p.s. tenho tido alguns problemas em entrar no teu blogue; anuncia vírus e não me deixa avançar. hoje, por fim, lá consegui. :)
Muito giro!
Palavras decepadas por enquanto... logo nos habituaremos!
Beijo.
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