domingo, 6 de novembro de 2011

SOPHIA (6/11/1919 - 2/07/2004)

SOPHIA  (6/11/1919 - 2/07/2004)

A escritora Sophia de Mello Breyner Andresen já tem um busto no Jardim Botânico do Porto, espaço que povoava de encanto e mistério as memórias da autora.
Na primeira metade do século XX,  era aqui, (local  na altura chamado Quinta do Campo Alegre), a casa dos seus avós, João e Joana Andresen.
É este um dos espaços apontado como fonte de  inspiração de Sophia. É esta a "floresta" dos maravilhosos contos que dedica às crianças e jovens.


[A Sophia de Mello Breyner Andresen]

Porque o teu grito
Tem o azul “aceso” do golfo de Corinto
E reclama a perfeição dos homens ousando esperar
que se igualem a deuses “sem suor, sem lágrimas sem falhas”

Porque juntaste no mesmo mar
Peixes, moluscos, crustáceos, em harmonia
Crendo na morte definitiva de “velhos abutres”
Sem saberes que renascem, sempre,
na obscuridade de cada esquina do tempo.

Porque quiseste a claridade que domina todas as coisas
E as nomeaste  rente à raiz e ao espanto.

Por tudo isso, Sophia
Serás sempre A Menina do Mar
que embalo no colo da infância
Na estranheza de a saber estanha na própria casa.
Serás sempre A Fada Oriana
das minhas florestas misteriosas,
O Cavaleiro da Dinamarca
das minhas viagens sonhadas
E o [meu] mundo será sempre uno e luminoso
como o sonhaste
[...]

Lídia Borges

(excerto/reeditado)

11 comentários:

Branca disse...

Tão lindo Lídia!
Maravilhosa homenagem!
E sabes que a Quinta onde Sophia e os irmãos cresciam era tão grande que não abrangia só o Jardim Botânico, mas quase todo o espaço do pólo universitário do Campo Alegre e até grande parte do espaço que hoje é ocupado pela auto-estrada? Tão grande e tão cheio de floresta que um dos irmãos caçava dentro da quinta! Interessada como és por Sophia também sabes concerteza que ainda existe ma Praia da Granja, uma das mais afamadas na altura, a casa onde dizem escreveu "A menina do Mar".

Este poema de homenagem é lindíssimo, hei-de lê-lo todo, se é que virá no teu livro, senão vou descobri-lo cá paar tràs, pois não me recordo se o cheguei a ler na primeira publicação.

Beijinhos
Branca

Graça Pereira disse...

Uma homenagem merecida e um busto a marcar o espaço de onde
tantas palavras voaram até aos nossos dias...e tu, soubeste colhê-las num poema que constrói a vida maravilhosa de Sophia!
Beijo

Graça

Rogério G.V. Pereira disse...

"Porque quiseste a claridade que domina todas as coisas
E as nomeaste rente à raiz e ao espanto."

Pousaram-me estes versos teus
onde eles quase sempre me pousam:
Na alma
(e na minha própria memória de Sophia)

Também gostava ler todo o poema...

Flor de Jasmim disse...

Lídia
Lindo!!! Adorei esta homenagem,este poema mexe demais comigo.
Beijinho e uma flor

Mª João C.Martins disse...

Sempre soube que havia na escrita de Sophia, muito mais que uma magia que atraia todos os meus sentidos, comunicando comigo numa dimensão estranha. Hoje, porque tenho vindo a conhece-la melhor, sei que é esse mundo " uno e luminoso", por ela sonhado, que me fascina. Nada para mim faz maior sentido.

Sabes, talvez o rapaz de bronze vá à noite, ter com ela ao jardim botânico. Quem sabe... Talvez ele acaricie os seus cabelos e juntos, se riam de nós e da nossa descrença no "dia das coisas".
É lindo esse teu olhar na direcção de Sophia...

Um beijinho

João de Sousa Teixeira disse...

Pouco acrescentarei.
Apetece-me apenas dizer: assim seja!

Beijinho
João

a d´almeida nunes disse...

Quantas vezes não passei ao lado desse jardim, pressentia-o do lado de fora, não imaginava, na altura, quanta poesia ele significava, poesia que só muito anos depois é que comecei a apreciar.

1965? Estudante, "imigrante" vindo de Viseu, por ali passava, às vezes, na direcção da praia, com os amigos, estudantes... de matérias técnicas e científicas.

Belo post

OceanoAzul.Sonhos disse...

Sophia, uma inspiração para todos nós.
Magnifico Lídia, adorei...

um beijinho
oa.s

Lilá(s) disse...

Como eu gosto dela, não têm conta os cenários que já pintei para a "Menina do Mar, o Rapaz de Bronze a Floresta"...
Bjs

São disse...

Um belissima homenagem a uma escritora de alta qualidade.

Desejo sucesso para o seu próximo livto.


Saudações.

Anónimo disse...

Lídia,
aqui chego me encantando com tua poesia, com tuas homenagens e, em especial, com este relicário feito à Sophia,musa das florestas mágicas que enchem nossos sonhos.
Teus versos em oração adornam ainda mais a memória da poetisa.
Sucesso,vida longa e fecunda p/ti,Lídia, encantadora das palavras.
Bjos,
Calu