sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Pequenos nadas...

                                                                                                                                     Pintura: Eduardo Fiel


Resistem
verdes rebentos
no acontecer disfórico do tempo

Revelam-se
pequenos nadas flutuando
à superfície líquida das horas

Acendem-se
cintilações maternas, pirilampos lestos
na dissimulação da noite

Marcam
 com  "v" de vida
As anacronias excêntricas
dos relógios

Afagam-nos
respiração perfumada
da última roseira em flor
deste maio tardio




18 comentários:

Fê blue bird disse...

São este pequenos nadas que fazem toda a diferença.
Maravilhoso jogo de palavras.

beijinhos e bom fim de semana

Unknown disse...

Algumas coisas resistem no tempo ao nosso olhar e ficam marcadas nos dias multicoloridos como rosas tardias.

Rogério G.V. Pereira disse...

Tardio é o que nunca chega
Perdeu o relógio o tempo
ainda bem

Maio?
Já vem.

(a marca de "V" é de vitória,
que é mais querida que a própria vida)

sandrafofinha disse...

gostei imenso deste pequenino poema. muitos beijinhos,votos de um bom fim-de-semana para ti!!

João de Sousa Teixeira disse...

Dão-nos conta que o dia de ontem
é irrepetível (incluindo as horas boas).

As horas que batem neste instante
são as únicas de carne e osso, verdadeiras.

Hão-de vir horas, outras horas amanhã:
a essas chamo, por enquanto, ansiedade.

Beijinho
João

José Rodrigues Dias disse...

Renasce sempre a vida
em cada raio de luz
Que de qualquer poro
do tempo da noite brota …

AC disse...

Lídia,
Pequenos nadas capazes de alimentar o essencial: a esperança.

Beijo :)

Lilá(s) disse...

Pequenos nadas mas tão ricos de conteudo!
Bjs

Unknown disse...

pequenos nadas me incitam à elevação,



beijo

Mona Lisa disse...

Esses pequenos nadas é que dão vida à nossa VIDA.

Beijos.

Jorge Pimenta disse...

a poesia pontuada pelo verbo, pela urgência, pela inevitabilidade de ser e fazer, num processo autorreconstrutivo que edifica e eterniza. assim te leio, querida lídia!

beijo grande!

p.s. o meu último texto invoca manuel pina, com uma sequência de versos que respiram aqui neste teu blogue.

Maria Rodrigues disse...

A vida é composta de pequenos, grandes nadas que dão vida, cor e alegria aos nossos dias, são momentos únicos, momentos de felicidade.
Bom domingo
Beijinhos
Maria

armalu,blogspot.com disse...

Bonito texto... adorei seu blog...

Mar Arável disse...

Pequenos nadas

que são a essência

Excelente como sempre

Mª João C.Martins disse...

Sendo tão pequenos, são o ar que respiramos e sem eles nada faz sentido. Revelam-se e, no entanto, nem sempre são vistos. O relógio, por vezes, turva os sentidos.

Um beijinho, Lídia

OceanoAzul.Sonhos disse...

Querida Lídia, é sempre um prazer passar e ler as suas palavras que nos marcam, sempre...

Estou afastada por falta de tempo mas não me esqueço deste cantinho requintado, que é o seu, feito nosso.

Beijinho
oa.s

lupuscanissignatus disse...

há subtis primaveras

a despontar na

epiderme das horas

Graça Sampaio disse...

Muito lindo! Onde tenho andado que só agora li?
Indesculpável a minha falha.
Muito lindo!

Beijinho