domingo, 15 de janeiro de 2012

da recusa do abandono


«Eu não tenho passado, trago tudo comigo. É uma questão de incompetência - construí uma casa de vidro sem aprender a porta, abandonei-me à minha sorte, e a janela que me mostras abrindo-se serve apenas para  confirmar o que aqui se encerra. Por todos os cantos foram plantadas pela mesma mão as papoilas e as ervas daninhas e as vozes muitas disfarçadas pelos silêncios. O que aqui não se ouve ocupa hoje o espaço inteiro, despedaçado. [...]»

JORDÃO, Pedro (2011: p. 86), Imagias in: Golpe d'Asa

9 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Vou procurar a revista...

Ah, e sofro dessa incompetência de que fala o poeta.
E tenho, igualmente, essa mesma janela, aberta

Mariazita disse...

Olá, Lídia
Li, no post anterior, a notícia do "nascimento" da nova revista "Golpe d'Asa".
Uma iniciativa digna do maior louvor.
Pedro Jordão está dando uma colaboração à altura - a avaliar pela amostra aqui publicada.
Parabéns a todos os intervenientes, e a ti pela divulgação.

Bom domingo. Beijinhos

ana disse...

Muito bonito este texto que aqui traz.
Julgo que a encontrei num livro de versos, achei graça!
Boa noite!:)

Cissa Romeu disse...

Lídia,
que lindo!

Uma casa/corpo refatária, onde as coisas passam entre... fechada, em pedaços...

Obrigada pelo comentário por lá em razão do post em parceria com o amigo Jorge Pimenta. Postei seu comentário lá no blog dele, para que tenha conhecimento também.

Lindo seu espaço virtual, também estou seguindo.

Beijos e ótima semana!

UBIRAJARA COSTA JR disse...

Que alma mais angustiada!...

Beijos e um bom dia

Mª João C.Martins disse...

« Eu não tenho passado, trago tudo comigo.»

e somos esse "espaço inteiro", dentro de nós em viagem.

Um beijo, Lídia

Fê blue bird disse...

Um texto completamente transparente como a casa.
LINDO!

beijinhos

Lilá(s) disse...

Muito bonito! vou procurar essa revista...
Bjs

Celso Mendes disse...

Somos o nosso passado, montado por cada instante vivido; um passado em expansão que cresce tanto até um ponto que não caberá mais no presente.

belíssimo, Lídia!

beijo.