quarta-feira, 18 de abril de 2012

Primeiro é só uma promessa

                                                                                                                                                                                          Imagem: Jeannette Woitzik

Primeiro, é só uma promessa
um ritmo, uma melodia vindos
não se sabe de onde. [Do mar?]
Não se sabe onde começa e onde acaba
aquele rumorejar aguado.
Uma certa cadência sem substância ainda
depois paulatinamente, algumas sílabas
indecisas como gotas raras de chuva.
Mas logo uma palavra inteira, e outra e outra.
Juntam-se. Por vezes repelem-se
e regressam acossadas à ausência da voz.
Outras vezes amam-se e ousam
a liberdade de voos nupciais
entregando-se à intensidade de um poema.
Enlouquecidas, as palavras volteiam
Tocam-me, queimam, coincidem...


Não me peças que deixe de ouvir o mar.
Porque estás sempre a dizer-me
Quão mavioso e hipnótico é o canto das sereias?
Não me peças que me detenha nas estrelas que tombam
da gravidade dos teus olhos
como se da vida soubéssemos já todos os segredos.

22 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Acabo de descobrir
num assomo de lucidez
que ouves meus sons
meus ritmos
as vozes que me embalam
os mesmos poemas
as mesmas palavras
soletradas rimadas
que em crescendo
vão coincidindo
tocando
queimando

Não, não te pedirei mais
tudo o que me pedes
para que te não peça

Nesse teu pedido
gostei de saber
que vês gravidade no meu olhar
e que temos muitos,
muitos segredos
ainda por desvendar

Descobri tudo isso no teu poema
e valeu a pena

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Há um voo quase sensual nas palavras...são ilusão e dor e por vezes gritam o silêncio que não queremos ouvir.
Adorei como sempre ler-te.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Anónimo disse...

Lindo! Entre promessas e desejos, ouço o barulho das ondas.

Beijo.

Flor de Jasmim disse...

Lindo minha poeta querida!
sºão palavras como estas que me quecem a alma e me dão alento para lutar contra as horas que me são dolorosas.

Beijinho e uma flor

Unknown disse...

canto das sereias, vinde ó mar que eu preciso, argonauta que sou



beijo

Graça Sampaio disse...

Muito, muito bonito! Mesmo!
Parabéns.

Mª João C.Martins disse...

E não sabemos. Eu diria até, que não há mistério que se revele por inteiro. O mundo é o lugar onde os olhos se espantam e as bocas se interrogam, constantemente. Porque a vida tem uma infinidade de geometrias possíveis e descobri-las, faz parte do movimento perpectuo das palavras.


Um beijinho

Mona Lisa disse...

A vida é como o mar com suas marés...amor, promessas, desejos, mágoas...

Beijos.

Cris França disse...

Não me peça para parar de ouvir o mar... lindo! bsj

Lilá(s) disse...

Abro a janela e oiço o mar, quem sabe um dia oiço também o canto das sereias...
Como sempre muito lindo!
Bjs

UBIRAJARA COSTA JR disse...

São maravilhosos este seus versos, Lídia!

Beijos

Emília Simões disse...

Fabuloso poema em que sentimentos e emoções emergem em simbolismos sublimes de inspiração.
Lindíssimo!
Bjs
Ailime

lis disse...

Uma promessa de sonhos Lídia
O mar é meu recreio, é de lá que me encho de paz e vislumbro horizontes impossíveis.
Seu voo poético é sempre como os segredos,ocultos em algum mistério, talvez como o gigante mar .
sempre lindo!
Um abraço grande

BlueShell disse...

O canto da sereia seduz e cega....
mas o teu poema traduz uma beleza muito clara.
BJ

Joaquim do Carmo disse...

Muito belo Lídia! Afinal, "promessa" cumprida!
"Não me peças que deixe de ouvir o mar..." - lindo! Há pedidos que nunca deviam acontecer!...
Beijinho
jc

ΣΤΡΑΤΗΣ ΠΑΡΕΛΗΣ disse...

não se traduz para o mundo.
ea poesia também.
é a criação primordial que fica perto de Deus.
Um abraço.

A.S. disse...

Tudo nos transcende, quando as palavras que queremos ouvir se dissolvem no ruído das ondas. Só as palavras do poema, verticais e intimas nos revelam todas as melodias, todos os segredos!


Beijos,
AL

Manuel Veiga disse...

a sedução de palavras. belas...

gosto da tua poesia. deveras.

chapeau!

beijo

Branca disse...

As palavras são como ondas do mar e as tuas são de maré cheia..., como aqui, agora e sempre.

Beijo

AC disse...

Promessas boas, promessas que acalentam...

Beijo :)

Daniela Delias disse...

"Não me peças que deixe de ouvir o mar."

Lindo poema...

Beijão!

Jorge Pimenta disse...

no início, apenas o silêncio da pele submersa. na gradação do corpo, o eco da boca em incêndio festivo. e a palavra torna-se inteira, redonda, dizer absoluto, e o dizer torna-se gente e a gente faz-se sonho, realidade, poema, vida. para quê fugir dos segredos?

beijinho, lídia!