Imagem: Jeannette Woitzik
Primeiro, é só uma promessa
um ritmo, uma melodia vindos
não se sabe de onde. [Do mar?]
Não se sabe onde começa e onde acaba
aquele rumorejar aguado.
Uma certa cadência sem substância ainda
depois paulatinamente, algumas sílabas
indecisas como gotas raras de chuva.
Mas logo uma palavra inteira, e outra e outra.
Juntam-se. Por vezes repelem-se
e regressam acossadas à ausência da voz.
Outras vezes amam-se e ousam
a liberdade de voos nupciais
entregando-se à intensidade de um poema.
Enlouquecidas, as palavras volteiam
Tocam-me, queimam, coincidem...
Não me peças que deixe de ouvir o mar.
Porque estás sempre a dizer-me
Quão mavioso e hipnótico é o canto das sereias?
Não me peças que me detenha nas estrelas que tombam
da gravidade dos teus olhos
como se da vida soubéssemos já todos os segredos.
22 comentários:
Acabo de descobrir
num assomo de lucidez
que ouves meus sons
meus ritmos
as vozes que me embalam
os mesmos poemas
as mesmas palavras
soletradas rimadas
que em crescendo
vão coincidindo
tocando
queimando
Não, não te pedirei mais
tudo o que me pedes
para que te não peça
Nesse teu pedido
gostei de saber
que vês gravidade no meu olhar
e que temos muitos,
muitos segredos
ainda por desvendar
Descobri tudo isso no teu poema
e valeu a pena
Minha querida
Há um voo quase sensual nas palavras...são ilusão e dor e por vezes gritam o silêncio que não queremos ouvir.
Adorei como sempre ler-te.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Lindo! Entre promessas e desejos, ouço o barulho das ondas.
Beijo.
Lindo minha poeta querida!
sºão palavras como estas que me quecem a alma e me dão alento para lutar contra as horas que me são dolorosas.
Beijinho e uma flor
canto das sereias, vinde ó mar que eu preciso, argonauta que sou
beijo
Muito, muito bonito! Mesmo!
Parabéns.
E não sabemos. Eu diria até, que não há mistério que se revele por inteiro. O mundo é o lugar onde os olhos se espantam e as bocas se interrogam, constantemente. Porque a vida tem uma infinidade de geometrias possíveis e descobri-las, faz parte do movimento perpectuo das palavras.
Um beijinho
A vida é como o mar com suas marés...amor, promessas, desejos, mágoas...
Beijos.
Não me peça para parar de ouvir o mar... lindo! bsj
Abro a janela e oiço o mar, quem sabe um dia oiço também o canto das sereias...
Como sempre muito lindo!
Bjs
São maravilhosos este seus versos, Lídia!
Beijos
Fabuloso poema em que sentimentos e emoções emergem em simbolismos sublimes de inspiração.
Lindíssimo!
Bjs
Ailime
Uma promessa de sonhos Lídia
O mar é meu recreio, é de lá que me encho de paz e vislumbro horizontes impossíveis.
Seu voo poético é sempre como os segredos,ocultos em algum mistério, talvez como o gigante mar .
sempre lindo!
Um abraço grande
O canto da sereia seduz e cega....
mas o teu poema traduz uma beleza muito clara.
BJ
Muito belo Lídia! Afinal, "promessa" cumprida!
"Não me peças que deixe de ouvir o mar..." - lindo! Há pedidos que nunca deviam acontecer!...
Beijinho
jc
não se traduz para o mundo.
ea poesia também.
é a criação primordial que fica perto de Deus.
Um abraço.
Tudo nos transcende, quando as palavras que queremos ouvir se dissolvem no ruído das ondas. Só as palavras do poema, verticais e intimas nos revelam todas as melodias, todos os segredos!
Beijos,
AL
a sedução de palavras. belas...
gosto da tua poesia. deveras.
chapeau!
beijo
As palavras são como ondas do mar e as tuas são de maré cheia..., como aqui, agora e sempre.
Beijo
Promessas boas, promessas que acalentam...
Beijo :)
"Não me peças que deixe de ouvir o mar."
Lindo poema...
Beijão!
no início, apenas o silêncio da pele submersa. na gradação do corpo, o eco da boca em incêndio festivo. e a palavra torna-se inteira, redonda, dizer absoluto, e o dizer torna-se gente e a gente faz-se sonho, realidade, poema, vida. para quê fugir dos segredos?
beijinho, lídia!
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