Agora já nada lhe faltava! Nada falta a quem nada espera.
Repetiu-o para si três vezes, esse número mágico capaz de
dissolver os efeitos de uma realidade que fere como lâmina gelada. Que não
contassem com ele. Não possuía a arte de decifrar as engenhosas armadilhas do mundo, além
de que, as malévolas moiras do destino (curiosamente são três) que lhe comandavam a
vida, insistiam em lhe afirmar a sua proclamada exiguidade.
Recolhia os destroços sangrentos de uma batalha por travar.
E via-se anoitecer, preso numa rede de linhas, tecida em enredos disfóricos.
E via-se anoitecer, preso numa rede de linhas, tecida em enredos disfóricos.

13 comentários:
É verdade que as expectativas podem ser grandes armadilhas. Mas não é menos verdade que viver sem nada esperar, sem nada projectar, sem nada almejar, é já morte.
Beijinhos e boa semana!
Não quero comentar...
lembra-me coisas, cada dia que passa, cada vez mais presentes
(lembra-me um livro há muito lido, de Élio Vitorino, do qual nem sequer quero pronunciar o título)
serena aceitação da vida.
apesar das batalhas que ficaram por travar...
texto e foto - belos ambos.
beijo
Brilhante!
E a pintura... Tão real!
Bj
É assim muitas vezes e em muitas situações: nada nos falta se nada esperamos. Quando esperamos demais podemos ficar bem decepcionados.
Boa semana
" Que não contassem com ele"
Infelizmente, nem precisava de o dizer. Quando se anoitece, já ninguém vê a vida que se transporta, tecida sob a pele. Já não há luz que ilumine a aparente inutilidade. Fica-se mais só, fica-se mais triste e, na contemplação da realidade, tudo o que se espera é o que já sabia esperar desde que se amanhece.
Um beijinho
Este texto faz-me pensar no dia em que a velhice nos atinge! estremeci porque é uma realidade
Bjs
Quando envelhecem
os jovens com experiência
mesmo assim são bibliotecas
de utilidade pública
Um texto para reler
Excepcional texto Lídia! Já o li mais que uma vez e é tão real e profundo que se torna impossível dizer mais, está lá tudo, numa prosa rica, capaz de fazer sombra a qualquer sonante nome literário.
Por aqui sempre que posso, apesar de o meu ritmo ser agora mais lento.
Beijos
Branca
E são tão poucos os que nada esperam... Texto tão bem conseguido! Muito bom.
Parabéns, poeta!
na translucidez de um mundo trajado a realidade, como saber o que em nós está completo? há tanto a acontecer na face oculta da fotografia...
beijinho, lídia!
Quando a noite se nos encerra assim, o melhor é sentar, como na foto, e repensar o caminho...
Texto literário e filosófico também! Este não esperar não é passividade! É não criar falsas expetativas para si e nos outros:
não se oferecer, na medida em que cada um se deve autoajudar!
Beijinho, Lídia!
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