sexta-feira, 1 de junho de 2012

Tantos sonhos p’ra sonhar

                                                                                                                        Vladimir Guseva

Uma reprimenda? Um carinho?
Um sorriso?
O que lhes terá ficado
na memória?

Um girassol dourado
delícia para as abelhas
um poema envergonhado
ou o sol a tombar das telhas
sobre o girassol dourado
à espera das abelhas?

E a ave que voou da árvore
e veio pousar num conto meu?
Quem se lembra?
Quem já se esqueceu?

Deve haver outras coisas
que ficaram na memória:
as contas de dividir?
Essas não têm história
quem as não sabe, terá de as repetir.
É bom que cedo se tome
o  jeito ao repartir.
Quem as não sabe terá de as repetir.

O verbo aprender em todos os modos,
em todos os tempos,
o verbo criar, o verbo construir, o verbo amar...

Viagens de navegadores,
velhas lendas de encantar...
Rios, serras, mares e mapas
tantos sonhos p’ra sonhar.
Deve haver outras coisas
que ficaram por contar.
Rios, serras, mares e mapas
caminhos p’ra desvendar.

Em tantos dias felizes
a tarde repousa agora.
Há canções, risos distantes  
e as aves, de ramo em ramo,
são como alegres petizes
a debruar os instantes
de tantos dias felizes.


19 comentários:

chica disse...

Que encantadora, doce poesia,Lidia!! Saudades de te ler! beijos,tudo de bom,chica

Mery disse...

Que lindeza de post!
Eu me identifiquei logo.
As lembranças*... Tantas dias felizes!
É tudo de bom ter algo para lembrar, e coincidiu com o meu post; fiquei deslumbrada com a poesia desses versos.
Beijinhos e boa noite pra ti.
Mery*

Flor de Jasmim disse...

Bonita homenagem às crianças Lídia!

Pena que muitos mais instantes irão ser derrubados, infelizmente.

Beijinho e uma flor

Jorge Pimenta disse...

o brilhozinho no olhar denuncia o tanto que ficou, não apenas da geografia, da geometria e das artes de contar e cantar, mas para além de todo o conhecimento formal. porque todos somos um pedaço do que em nós nasce e outro tanto no que os outros em nós plantaram.

beijinho, lídia!

Unknown disse...

o que se rememora vem com todos os verbos do sentir,




beijo

Rosa dos Ventos disse...

Tanta coisa boa da nossa infância que nos ficou na memória e que forma linda de o dizer!

Abraço

a d´almeida nunes disse...

E as crianças que nós, adultos, também somos?

Quanto aprendemos dia após dia, minuto a minuto, um aprender sem fim,

Tudo começou em criança
a ver as aves a voar
sem parança
a olhar
a sonhar...

Beijinho

Rui Pascoal disse...

Se não fossem as crianças e os poetas... quem nos faria hoje sorrir?
Bem haja(m)!

Rogério G.V. Pereira disse...

Falaste de ti?
ou de mim?
ou de todos nós?

Acho que falaste
da nossa mocidade
e não são versos apenas
e não são só de saudade
São presenças vivas de valores
memórias de sensações
saberes idos
jamais esquecidos

Agulheta disse...

Poema belíssimo as crianças,elas são a coisa mais linda,e os sonhos delas estão a ficar estilhaçados,como asas de gaivota perdida do mar.
beijos e bfs

Mar Arável disse...

Belo na verdade

Um dia seremos de novo

crianças

Graça Sampaio disse...

Tão bonito, Lídia! Felizmente posso facilmente rever-me nessa criança. Mas quantas haverá que não têm essa possibilidade! E isso é uma tristeza e uma vergonha para todos nós.

Obrigada. Beijos.

Anónimo disse...

Um poema repletos de girassóis
abelhas zumbindo
ensurdece meu coração
repletos de versos que nos fazem
acreditar que o amor existe
e as tardes são mornas
e dedilhadas nas canções
de tantos pássaros.

Belo poeta.

Luiz Alfredo - poeta

Anónimo disse...

E assim sonhando na memória da criança, vai construindo belos poemas.

Beijos e bom domingo.

ma66ie disse...

Que bonita homenagem às criancinhas!!! :)

OceanoAzul.Sonhos disse...

Terno poema, onde todos nos podemos rever e sonhar.

beijos
cvb

Mª João C.Martins disse...

Dentro dos dias felizes, ficaram sementes a germinar, à espera de asas. Hoje é vê-los voar...
É este o sonho. Sem ele, nada seremos!

Um beijo

Emília Simões disse...

Um poema lindíssimo tecido por suaves memórias que o tempo jamais apagará.
A imagem muito bela.
Beijinhos,
Ailime

Anónimo disse...

Do tanto que - nas melhores circunstâncias - se pode aprender na infância, para mais tarde saber voar!

Beijinho, Lídia