quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Eis um instante para me converter num pouco de noite

                                                                                                                Todd Bonita 

(...)
Quero ser tão real como a solitária pedra de uma sombra
tão denso como o silêncio tão puro como um cereal
tão nocturno como um canavial nocturno
tão liso como um musgo ainda quente
tão simples e elementar como a palma da mão
tão insignificante como uma joaninha numa folha
tão vazio como a corola branca do olvido

Eis o que desejo enquanto ouço a maré do tempo
e o seu silêncio indecifrável e ambíguo


António Ramos Rosa
(2003:p20), Os animais do sol e da sombra

12 comentários:

António Gallobar - Ensaios Poéticos disse...

Uma maravilha, muitos parabens.

Adorei passar por aqui amiga Lídia

Rosa dos Ventos disse...

Tão esvoaçante como um barco a balançar nas águas! :-))
Lindo!

Abraço

lis disse...

São esses os momentos que alimenta nossa alma fazendo-nos melhores.
As dádivas ao nosso dispor como o sol e a sombra.
fique bem e um abraço forte Lídia

rosa-branca disse...

Olá amiga, é realmente um instante maravilhoso. Adorei. Beijos com carinho

BlueShell disse...

Impressionante!
Gostei. Bj

Rogério G.V. Pereira disse...

boa essa maré do tempo...
Que desejará o poeta
quando se levantar o vento?

Armando Sena disse...

Verdade, esse silêncio que é sempre cúmplice e amigo.
Beijo Lídia e muito obrigado.

Mona Lisa disse...

Momentos em que estamos a sós com o nosso eu.

Não abdico deles!

Beijos.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

uma boa escolha de um senhor Poeta.

um beij

Mª João C.Martins disse...



Lemos, e descobrimos que o nosso mundo é tanta gente...

Gosto, gosto muito de António Ramos Rosa!

Beijinho

Dilmar Gomes disse...

Lirismo em alto grau, amiga Lídia.
Um abraço daqui do sul do Brasil.

Unknown disse...

Este Rosa e os seus Ramos,



beijo