Era uma vez um país muito
verde, muito azul… Muito belo!
Tinha praias e montanhas,
vales e planícies por onde corriam rios e se estendiam campos, prados e jardins floridos. Pássaros, havia-os em todas as árvores.
Era um país com um sol redondo
e imenso, sempre pronto a sorrir no céu que o cobria.
As crianças gostavam tanto do sol que não
havia quem, de entre elas, não o pintasse muito amarelo e luminoso, num canto
de todos os desenhos. Por vezes, aparecia mesmo ao centro, com uma
enorme boca em forma de riso, sobre a casinha, as árvores e as flores e os animais.
Mas um dia aconteceu que este bonito país foi tomado por estranhas robôs com
forma de gente que eram inimigos da beleza e da paz e tentavam, dia após dia, roubar o sol aos
habitantes das aldeias, das vilas e das cidades. Não só o sol. Queriam também o
azul e o verde e tudo o mais que pudesse, de algum modo, fazer feliz a gente daquela terra.
Mandavam verter latas
de tinta cinzenta por todos os lugares aonde chegavam. Faziam leis que ninguém entendia. Essas leis, em pouco tempo, transformavam-se em
monstros com enormes bocas que se alimentavam apenas da felicidade das pessoas.
Comiam tudo o que elas tinham para a sua sobrevivência e deixavam-nas pobres e muito desoladas.
Um dia, com receio de que
alguns pudessem ainda espreitar o céu, os detestáveis robôs ordenaram que, a partir daquele momento, todos: novos ou velhos, gordos ou magros, altos ou baixos, saudáveis ou doentes, andassem sempre com uma nuvem suspensa sobre a cabeça. Quem não cumprisse esta bizarra
exigência seria severamente castigado. E a partir daí, todos os habitantes começaram a construir nuvens para tapar as próprias cabeças.
O sol bem tentava iluminar e aquecer aquele pedacinho de mundo como sempre tinha feito, mas via
tantas nuvens que se punha a duvidar se a sua força natural seria suficiente
para as atravessar. O escuro alastrava, as famílias fechavam-se
em casa, sem trabalho, sem pão, sem alegria e, à medida que iam esquecendo a
luz do sol, iam ficando mais paradas e mais silenciosas. O verde dos campos, o
dourado das searas, o azul dos rios e dos regatos pareciam querer imitá-las perdendo todo o seu vigor.
Todos, cada um por seu lado, iam tentando
descobrir uma maneira de se libertar da nuvem que tinham sobre a cabeça, pois sabiam que ela era a maior responsável por tanta desgraça. Mas uma cabeça sozinha, e ainda por cima enublada, pensa pouco
e mal e, assim, parecia não haver solução para tão grave problema.
Mas, por estranho que
pareça, as crianças continuavam a desenhar o sol, cada vez maior, cada vez mais
amarelo como se nunca tivessem deixado de o ver. E mostravam os desenhos aos pais, aos tios, aos avós. Estes quando os olhavam parecia que recuperavam energias e enchiam-se de uma luminosa coragem.
Então nos bairros, nas ruas, nas aldeias, as
pessoas começaram a falar umas com as outras, primeiro sobre os desenhos das crianças, depois sobre as nuvens. E, de repente, puseram-se a perguntar, entre si, porque razão haviam de as transportar sobre as cabeças se esse nunca tinha sido o seu lugar próprio.
Até que o Senhor “Não é
Assim” indagou:
– Uma nuvem é feita para ser chuva, não é
assim? Então para nos livrarmos das nuvens é preciso fazer chover, não é assim? Depois da
chuva, é costume vermos o sol, não é assim?
(...)

11 comentários:
A canalha no poder
ainda anda à solta
Belo texto
Bjs
E o Senhor "Pois É" respondeu:
Pois é!
Mas o Senhor "Problema", lembra:
O pior, é que a nuvem é tão densa, tão densa, que ninguém pensa. Esse é o problema...
(Lídia, já ia com a embalagem de continuar a história... mas fica assim, até que haja algo que desanuvie...)
está a ficar muito bom continua....
não é assim? não é assim? :)
as crianças são o sol e a cor que dá vida aos dias mais cinzentos.
são elas o futuro o nosso amanhã...
Cá fico à espera que chova dessa chuva que nos deixe ver de novp o sol e o céu azul!
Abraço
Que acabe a CHUVA logo e depois brilhe o SOL!! beijos,chica
uma nuvem é feita para ser chuva, às vezes calha que é só alumbramento,
beijo
Penso que compreendi este texto.
Merece mais que uma leitura e
uma reflexão sobre o mesmo, que
é o que irei fazer.
Beijinho
Irene Alves
parece que cada vez as nuvens estão mais densas, que as crianças com a sua simplicidade nos mostrem o caminho do arco-iris
beijos
Que chova, Lídia, que chova muito; que chorem as núvens todas pois eu quero, eu preciso ver o sol!
Esperança, muita, pois esta seca urge de um oásis.
E serão as crianças o sol e o futuro...
Belíssima e tão realista a tua história Lídia.
Sabes que me fizeste lembrar um teatrinho que vi com a minha filha pequena ainda, pelo TEP - Teatro Experimental do Porto, era uma história para crianças e adultos, que falava de um país triste e de um rei que não queria que o povo sonhasse, até que se não me engano um ser diferente, um sonhador conseguiu contagiar os outros e fez com que todos começassem a rir e a sonhar e tudo se iluminou naquele país triste. Foi há muito tempo, a Rita era pequenina, parecia-nos ser num país distante, afinal ele estava tão perto... mas o pensamento e os sonhos ninguém nos pode roubar.
Beijos
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