terça-feira, 2 de outubro de 2012

Para domínio e superação do real




Declinei a última réstia
de luz, a raiz lúcida de um canto preciso
num relógio de imprecisões

Agora a minha alma mantém-se hermética
à medida que os vocábulos se acumulam
nuvens contorcidas sobre um mar de ofensas
sem céu para que se façam chuva.

Como uma catástrofe,
o despojamento das searas
fez ninho na carência do sol e do  trigo.
Nunca havia sido tão nítido o descaminho
da linguagem,
à hora da tristura dos  pássaros
que é em mim 
a mais longa de todas as horas

Da eloquência da Natureza
nos olhos e nos ouvidos
restam  fragmentos minúsculos
que aumentam a distância 
entre os meus textos e o meu corpo

Para domínio e superação do real

21 comentários:

Dilmar Gomes disse...

Mais um belo poema de tua criação, amiga Lídia. Um abraço. Tenhas um bom dia.

Jorge disse...

A eloquência da Natureza está na sensação de liberdade que nos transmite e no profundo respeito que nos inspira.
Abraço,
J

Daniel Aladiah disse...

Querida Lígia
No domínio surreal...
Beijo
Daniel

Sílvia Mota Lopes disse...

As melhoras amiga:)

Duarte disse...

Gosto destes versos que saem fluidos na busca da equidade e que deixam uma nesga de luz... radiante.
Besos

Rogério G.V. Pereira disse...

Marquemos
a hora da tristura dos pássaros
para a hora da sua ressurreição

A distância entre o teu corpo
e os teus versos, terá a espessura da tua alma

Flor de Jasmim disse...

A eloquência da Natureza sente-se na sensibilidade das tuas palavras neste belissimo poema.

Beijinho e uma flor

Graça Sampaio disse...

Poema da decepção, do cansaço do real?

(Grande elaboração!)

Armando Sena disse...

Retenho os últimos versos e a mensagem de esperança que encerram.
Cpts

São disse...

A tristura dis pássaros cobre nestes momemtos a vida de quem vive do seu trabalho.


Quanto ao poema, achei-o muito bom.

Um abraço, Lídia

Unknown disse...

"nuvens contorcidas sobre um mar de ofensas", o real tão irreal



beijo

Mateus Medina disse...

"Da eloquência da Natureza
nos olhos e nos ouvidos
restam fragmentos minúsculos
que aumentam a distância
entre os meus textos e o meu corpo"

E muitas vezes é assim, para o bem e para o mal...

Beijos!

chica disse...

Que maravilhosas tuas palavras,Lídia!! Sempre!beijos,chica

BlueShell disse...

Adorei este poema..."a raíz lúcida de um canto preciso/num relógio de imprecisões..."
Magnífico... é um privilégio vir ler-te!
BJ

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Por vezes estamos assim, tão distantes de nós e tão com vontade de nos abraçar-mos e ficar assim na tristura dos pássaros.
Sempre difícil comentar o que é tão profundo.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Fernando Santos (Chana) disse...

Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos

Unknown disse...

Bom dia
Gosto de ler e reler a sua poesia que nos arrebata dentro das figuras literárias e nos deixa cheios de:

«fragmentos que aumentam a distancia entre a escrita e o pensamento»

Hanaé Pais disse...

Bonito poema, mas um desalento.
A distância da alma
Um outro canto para afastar
a tristeza dos pássaros sem ninho.
AS núvens são regadas pela chuva e ensinam um novo caminho.
A esperança da cura como num hospital.

Pérola disse...

A Natureaza inspira-te duma forma sublime.

Lindo!

Beijinho

Graça Pereira disse...

Acho que a tristeza dos pássaros, passou para nós...na certeza de um tempo incerto!
Belissimo!
Beijo
Graça

Mª João C.Martins disse...



Sem nos darmos conta, a alma encontra sintonia na nostalgia do tempo, da natureza que se recolhe para se resguardar do frio, para recolher do interior da terra a força que fará crescer, mais tarde, novos caules e novas folhas. Há quem possa pensar que são tristes estes dias, porque ausentes do canto dos pássaros que se foram embora, mas não, a tristeza maior é esta incerteza de não se saber se algum dia regressam.

Um beijinho, Lídia