Declinei a última réstia
de luz, a raiz lúcida de um
canto preciso
num relógio
de imprecisões
Agora a minha alma mantém-se hermética
à medida
que os vocábulos se acumulam
nuvens contorcidas
sobre um mar de ofensas
sem céu para que se façam chuva.
Como uma
catástrofe,
o
despojamento das searas
fez ninho
na carência do sol e do trigo.
Nunca havia
sido tão nítido o descaminho
da linguagem,
à hora da
tristura dos pássaros
que é em mim
a mais longa de todas as horas
Da eloquência da Natureza
nos olhos e nos ouvidos
restam fragmentos
minúsculos
que aumentam a distância
entre os meus textos e o meu corpo
Para domínio
e superação do real

21 comentários:
Mais um belo poema de tua criação, amiga Lídia. Um abraço. Tenhas um bom dia.
A eloquência da Natureza está na sensação de liberdade que nos transmite e no profundo respeito que nos inspira.
Abraço,
J
Querida Lígia
No domínio surreal...
Beijo
Daniel
As melhoras amiga:)
Gosto destes versos que saem fluidos na busca da equidade e que deixam uma nesga de luz... radiante.
Besos
Marquemos
a hora da tristura dos pássaros
para a hora da sua ressurreição
A distância entre o teu corpo
e os teus versos, terá a espessura da tua alma
A eloquência da Natureza sente-se na sensibilidade das tuas palavras neste belissimo poema.
Beijinho e uma flor
Poema da decepção, do cansaço do real?
(Grande elaboração!)
Retenho os últimos versos e a mensagem de esperança que encerram.
Cpts
A tristura dis pássaros cobre nestes momemtos a vida de quem vive do seu trabalho.
Quanto ao poema, achei-o muito bom.
Um abraço, Lídia
"nuvens contorcidas sobre um mar de ofensas", o real tão irreal
beijo
"Da eloquência da Natureza
nos olhos e nos ouvidos
restam fragmentos minúsculos
que aumentam a distância
entre os meus textos e o meu corpo"
E muitas vezes é assim, para o bem e para o mal...
Beijos!
Que maravilhosas tuas palavras,Lídia!! Sempre!beijos,chica
Adorei este poema..."a raíz lúcida de um canto preciso/num relógio de imprecisões..."
Magnífico... é um privilégio vir ler-te!
BJ
Minha querida
Por vezes estamos assim, tão distantes de nós e tão com vontade de nos abraçar-mos e ficar assim na tristura dos pássaros.
Sempre difícil comentar o que é tão profundo.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Belo poema...Espectacular....
Cumprimentos
Bom dia
Gosto de ler e reler a sua poesia que nos arrebata dentro das figuras literárias e nos deixa cheios de:
«fragmentos que aumentam a distancia entre a escrita e o pensamento»
Bonito poema, mas um desalento.
A distância da alma
Um outro canto para afastar
a tristeza dos pássaros sem ninho.
AS núvens são regadas pela chuva e ensinam um novo caminho.
A esperança da cura como num hospital.
A Natureaza inspira-te duma forma sublime.
Lindo!
Beijinho
Acho que a tristeza dos pássaros, passou para nós...na certeza de um tempo incerto!
Belissimo!
Beijo
Graça
Sem nos darmos conta, a alma encontra sintonia na nostalgia do tempo, da natureza que se recolhe para se resguardar do frio, para recolher do interior da terra a força que fará crescer, mais tarde, novos caules e novas folhas. Há quem possa pensar que são tristes estes dias, porque ausentes do canto dos pássaros que se foram embora, mas não, a tristeza maior é esta incerteza de não se saber se algum dia regressam.
Um beijinho, Lídia
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