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Sobe-se
ao Bom Jesus para se ver tudo
Do
alto, apesar do canudo e da depuração do ar,
Do
tudo, escasso se faz o que se vê.
Não
se vê quase nada, diz até
quem
do ver tem uma visão ampliada.
Cai por terra a teoria de se poder ver
o mundo, sobrevoando-o.
Um chão de telhas não revela uma cidade.
Desce-se,
então a encosta,
com
os sentidos à mão
e
entra-se nos povoados.
Começa-se
a ver,
ouvindo
o homem na horta
o
outro, à porta do café,
tossindo carência,
a
mulher que varre o terreiro
com
gestos desatentos.
É
preciso entrar com ela, em casa,
pela cozinha onde a lareira
se apagou
há muito e
permanecer, com
tempo,
na sala onde a mesa não está posta.
A
voz timidamente ensina-nos
o caminho da alma, abre-nos
portas invisíveis.
E, numa
súbita ternura,
aprende-se
como se dá cor a um fruto
e perfume a uma rosa,
Quando
os dias cerrados
empenam
o respirar e calam os pássaros.
Aprende-se
o peso de uma lágrima
Quando o olhar perde o medo de esgotar a alegria,
De
se deixar ferir, de se deixar molhar,
irremediavelmente.
Se,
à saída, ainda fores o mesmo,
então
lava daí as tuas mãos e volta lá acima,
para
junto das estátuas.
Espreita
pelo canudo. Vê-se tudo!...

13 comentários:
Muito lindo, Lídia! «Um chão de telhas não revela uma cidade» - muito, muito belo!
Eu conheço o lugar que é lindo. Mas neste teu texto, o que menos interessa é a paisagem...
Beijos, Poeta!
Lá do alto, temos uma visão uniforme das coisas. Para as conhecermos temos que ser curiosos, temos que as procurar, estarmos atentos e sensíveis.
Bj
J
"Quando o olhar perde o medo de esgotar a alegria"
Lindo e comovente!
Restinho de bom fim de semana minha amiga
beijinho e uma flor
Minha querida
Uma linda viagem descrita num belo poema.
Bom fim de semana
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Maravilha, Lidia e do alto, vê -se tudo o que imaginamos ou não...beijos,lindo DEZEMBRO!chica
Oi Lídia
Muito bonito e lembrei desse verso:
'para se ter uma campina /é preciso um trevo e uma abelha/um trevo,uma abelha e a fantasia."
É preciso muito mais do que simplesmente olhar do alto-é preciso descer ao chão, ir a campina e ver a 'mulher que varre o terreiro...".
bonito.
fica o abraço e desejos de um bom domingo
Lídia,
Ler o que escreve é fácil, mas interpretar, é bem mais difícil.
A sua escrita não é para "brincadeiras"!
Do alto... tantas entrelinhas. Há viagens, que enaltecem, outras, talvez não, mas Braga por um canudo, talvez seja uma opção (não queria rimar, mas aconteceu).
Beijo da Luz, com apreço.
Do alto, vê -se tudo, até o que imaginamos mas, descrito assim em poesia até em Dezembro a paisagem tem beleza.
Bjs
que belo descortinar: amplidão
beijo
Dali vi o "mundo" há quase sessenta anos!
Beijinho
Muito lindo! Não sei o que comentar...
Esse canudo está sempre lá... e Braga tem outro encanto...
Como não estou longe, gosto de ir ao Bom Jesus de vez em quando.
Gostei muito deste teu poema, é excelente.
Beijo, querida amiga Lídia.
(não sabia que eras bracarense...)
Por estar
Num estar
Vendo quase tudo
Perdi, nesse porquê
O teu poema
De onde tudo se vê
(hoje não trouxe os adjectivos comigo
Iria, por certo, deixá-los todos no seu espaço)
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