domingo, 16 de dezembro de 2012

Poder ser ainda um abraço fechado


                                                                                                                duy huynh 

Destronados à força
do equilíbrio a que nos habituámos
observamos absortos
a rua onde todo o movimento
cessa. Só o choro da chuva
soa frio no fundo das retinas
e nunca os horizontes interiores
se irmanaram tão justamente
à estreiteza do solar.

Poder ser ainda um abraço fechado
para te guardar menina,
cheia de sonhos e lampejos
e gestos a brincar nos olhos
onde não se descortinavam ainda
futuros, florindo apenas em longínquos 
jardins de gelo.

No regaço deserto de hoje
subitamente,
um poema se estilhaça. Em queda 
mil fragmentos  vão ocultar-se 
num misterioso lago de torpor.


13 comentários:

Isabel disse...

Um abraço reconforta.
Linda a imagem.
Boa noite!

Graça disse...

Ler-te é sempre um prazer.

Um beijinho grande e bom Natal.

Rogério G.V. Pereira disse...

Um dia
(não importa por quem)
os mil fragmentos serão
recolhidos
e pedaço a pedaço
reconstruidos
todos os versos
e esse abraço

Catarina disse...

Que bonito, Lidia. Que talento!

Unknown disse...

o poema estilhaçado é uma imagem de fragmentos a elevar-se,



beijo

ana disse...

Lídia,
O seu poema é belíssimo e casou-o muito bem com a imagem.
Depois, não sei se já disse mas sou apaixonada por este noturno de Chopin.
Posso levar este poema?
Beijinho!:)

Flor de Jasmim disse...

Que esse abraço fechado exista sempre!
boa semana Lídia

beijinho e uma flor

Primeira Pessoa disse...

o abraço - quando bem dado - é sempre mais puro que o beijo, mais honesto que o aperto de mão.

das invençoes do homem, o abraço mora lá em cima, num dos pontos mais altos da prateleira.

beijão, lidia.

r.

Maria João Brito de Sousa disse...

Abro e fecho a caixa de comentários. Preciso de reler e reler este poema... e sei que não desvendarei este quase nada de tristeza que me aflorou enquanto o lia... uma tristeza tão leve, tão subtil... será minha? Terei eu deixado que alguma tristezazinha saída de mim contaminasse um poema que eu apenas lia?

Um beijo, Lídia.

Isa Lisboa disse...

Devemos sempre abraçar a criança que fomos...nem que seja com um poema bonito assim...!

Deixo já os meus votos de um Feliz Natal e de um Excelente 2013, caso já não tenha oportunidade de cá voltar.

Beijo

ana disse...

Obrigada, Lídia!
Irei colocá-lo um destes dias com a respetiva referência ao blogue. :)
Beijinho e um Feliz Natal!

Unknown disse...

Gosto de ler os seus poemas.
Dizem mais do que parece e depois de relidos sentimos algo mais do que o silêncio que termina nas ruas da vida Sentimos o estilhaçar de algo mais num mar de gelo onde sobram a chuva e o frio.

Votos de um Santo Natal
&
Prospero Ano Novo

Maria João Mendes disse...

as memórias dos sonhos

mas talvez eles não se estilhacem,
apenas formam novas formas,

como destino.


gostei imenso

Beijo