Sarolta Bán
Este poema começa numa
porta de embarque
num aeroporto a norte, mas podia ser no centro,
nas ilhas ou a sul.
Um abraço longo, algumas
palavras redondas,
tontas de indecisos azuis,
um gesto tímido de agarrar, que já não se vê,
a morrer nas mãos.
Incapaz de enxugar uma só lágrima, este poema
seca
no momento em que regresso
a casa
sem ti.
No espaço onde a tua presença
se calou
só o vão ficou, oco como uma
denúncia.
Há um país a desintegrar-se
silenciosamente
a cada partida.

25 comentários:
Lídia...
Lindo e verdadeiro...muita gente estará a passar pela mesma despedida.
Beijinhos
Ana
Que lástima! Triste, mas muito lindo!! E a imagem, belíssima também!
beijos,chica e essa poesia é, realmente de muitos!
Um poema tão actual, minha amiga! Nunca tal coisa nos tinha passado pela cabeça!!Muito sentido e vivido em muitas famílias.
M. Emília
A emigração, quando compulsiva, ainda custa mais aos que ficam.
Mas pode ser uma oportinudade para dar a volta à desintegração...
Excelente poema, gostei muito.
Lídia, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.
As partidas, essas partidas são sempre dolorosas....
Ficam abraços por dar, gestos para fazer e espaços por ocupar!
Beijinho
Muito bonito...
bjinho amigo
Por enquanto não se fala em datas
Mas o destino está definido
Cada partida
Sentida
Aumenta o aperto
E eu já o pressinto
Bela imagem, bonito poema, amiga Lídia!
Um abraço. Tenhas um lindo fim de semana.
Lídia junto o meu ao teu grito de tristeza ao vermos a destruição deste nosso País!
Excelente forma a tua de manifestares a tristeza que não consegues esconder.
Bom fim de semana querida
Beijinho e uma flor
Muito bonito. E doloroso. Já aqui disse: não consigo lidar com as despedidas - e já tive de me sujeitar a tantas...
Minha querida
Infelizmente não dão alternativas aos nossos jovens para poderem ficar junto de quem os ama.
É muito triste mesmo.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Todos os dias, silenciosamente, como dizes; acontecem partidas... muito mais partidas do que aquelas que imaginamos.
São pedaços de coração arrancados à força, num país cujo deserto cresce na mesma medida das lágrimas.
E assim começa um poema que não é só teu, e é tão triste...
Um abraço forte, amiga minha.
"Há um país a desintegrar-se silenciosamente a cada partida."
Não tenho palavras :(
volto...
sim, haja o que houver... esperamos sempre!!
:-)
... e com que sede indizível ficamos nós, os que os vemos partir...
Beijo magoado.
Pedaços indecisos que voam
presenças ocas que ficam. Absortas.
E uma imagem que fala com o poema belíssimo.
Abraço, Lidia
Bom dia Lidia,
indiquei o seu blog para o Selo literário 2013, dê uma passadinha no meu blog , fique a vontade para aceitar.
Obrigada
Ana
Nem sei que dizer Lídia, é um belo poema, mas muito triste, sinto-me cada vez mais perto dessa porta de embarque, é um país que parte a cada dia que passa.
Beijos e um grande e terno abraço.
Branca
Ainda o mês passado me despedi de uma amiga, e muitas vezes tenho vontade de fazer também a mala...
Gostei muito do poema, tem muita emoção dentro.
Beijo, boa semana
macerado de cansaços, somos um povo de "sete partidas". apesar de tudo...
... belo teu Cântico de Penelope. inconformado.
enorme poema
Um dos melhores e mais belos poemas que li nas andanças divulgando meu espaço! É de uma narrativa rara! Se puder, me visite e seja uma membra, para ajudar na divulgação do meu humilde e novo espaço. Abraços, Lucian (http://www.poemasintrovestidos.blogspot.com.br/)
este poema não é só teu,
é de todos nós
é de quem vê os seus partir para algo melhor(?)
partir deste País que é nosso
este poema é um grito
é uma lágrima escondida
que brota e cai da mãe
do filho
do pai
e
de tantos ....
beij
Retorno depois de muito tempo... e digo que valeu a pena!
=)
Állyssen
ainda esta semana fui embracar a minha sobrinha que, à semelhança de tantos, procurou além o que falta ali...
beijo lídia. haja o que houver, estarei por aqui... ainda que eu própria, a qualquer momento ...
... quicá!!!
Mel
Infelizmente um poema de cada vez mais portugueses.
Um bom ano, Lídia!
Beijinho
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