sábado, 5 de janeiro de 2013

Este poema não é só meu...


Sarolta Bán

Este poema começa numa porta de embarque
num aeroporto a norte, mas podia ser no centro, 
nas ilhas ou a sul.
Um abraço longo, algumas palavras redondas,
tontas de indecisos azuis,
um gesto tímido de agarrar, que já não se vê,
a morrer nas mãos.

Incapaz de enxugar uma só lágrima, este poema
seca
no momento em que regresso a casa  
sem ti.

No espaço onde a tua presença se calou
só o vão ficou, oco como uma denúncia.

Há um país a desintegrar-se
silenciosamente

a cada partida.



25 comentários:

Anónimo disse...

Lídia...

Lindo e verdadeiro...muita gente estará a passar pela mesma despedida.

Beijinhos

Ana

chica disse...

Que lástima! Triste, mas muito lindo!! E a imagem, belíssima também!

beijos,chica e essa poesia é, realmente de muitos!

Maria Emilia Moreira disse...

Um poema tão actual, minha amiga! Nunca tal coisa nos tinha passado pela cabeça!!Muito sentido e vivido em muitas famílias.
M. Emília

Nilson Barcelli disse...

A emigração, quando compulsiva, ainda custa mais aos que ficam.
Mas pode ser uma oportinudade para dar a volta à desintegração...
Excelente poema, gostei muito.
Lídia, minha querida amiga, tem um bom fim de semana.
Beijo.

JP disse...

As partidas, essas partidas são sempre dolorosas....

Ficam abraços por dar, gestos para fazer e espaços por ocupar!

Beijinho

Daniel C.da Silva disse...

Muito bonito...

bjinho amigo

Rogério G.V. Pereira disse...

Por enquanto não se fala em datas
Mas o destino está definido

Cada partida
Sentida
Aumenta o aperto
E eu já o pressinto

Dilmar Gomes disse...

Bela imagem, bonito poema, amiga Lídia!
Um abraço. Tenhas um lindo fim de semana.

Flor de Jasmim disse...

Lídia junto o meu ao teu grito de tristeza ao vermos a destruição deste nosso País!
Excelente forma a tua de manifestares a tristeza que não consegues esconder.
Bom fim de semana querida

Beijinho e uma flor

Graça Sampaio disse...

Muito bonito. E doloroso. Já aqui disse: não consigo lidar com as despedidas - e já tive de me sujeitar a tantas...

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Infelizmente não dão alternativas aos nossos jovens para poderem ficar junto de quem os ama.
É muito triste mesmo.

Um beijinho com carinho
Sonhadora

Mª João C.Martins disse...


Todos os dias, silenciosamente, como dizes; acontecem partidas... muito mais partidas do que aquelas que imaginamos.
São pedaços de coração arrancados à força, num país cujo deserto cresce na mesma medida das lágrimas.
E assim começa um poema que não é só teu, e é tão triste...

Um abraço forte, amiga minha.





Rosa Carioca disse...

"Há um país a desintegrar-se silenciosamente a cada partida."
Não tenho palavras :(

Mª João C.Martins disse...


volto...

sim, haja o que houver... esperamos sempre!!

:-)

Maria João Brito de Sousa disse...

... e com que sede indizível ficamos nós, os que os vemos partir...

Beijo magoado.

manuela barroso disse...

Pedaços indecisos que voam
presenças ocas que ficam. Absortas.
E uma imagem que fala com o poema belíssimo.
Abraço, Lidia

Anónimo disse...

Bom dia Lidia,

indiquei o seu blog para o Selo literário 2013, dê uma passadinha no meu blog , fique a vontade para aceitar.

Obrigada

Ana

Branca disse...

Nem sei que dizer Lídia, é um belo poema, mas muito triste, sinto-me cada vez mais perto dessa porta de embarque, é um país que parte a cada dia que passa.

Beijos e um grande e terno abraço.
Branca

Isa Lisboa disse...

Ainda o mês passado me despedi de uma amiga, e muitas vezes tenho vontade de fazer também a mala...

Gostei muito do poema, tem muita emoção dentro.

Beijo, boa semana

Manuel Veiga disse...

macerado de cansaços, somos um povo de "sete partidas". apesar de tudo...

... belo teu Cântico de Penelope. inconformado.

enorme poema

Lucian disse...

Um dos melhores e mais belos poemas que li nas andanças divulgando meu espaço! É de uma narrativa rara! Se puder, me visite e seja uma membra, para ajudar na divulgação do meu humilde e novo espaço. Abraços, Lucian (http://www.poemasintrovestidos.blogspot.com.br/)

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

este poema não é só teu,
é de todos nós
é de quem vê os seus partir para algo melhor(?)
partir deste País que é nosso

este poema é um grito
é uma lágrima escondida
que brota e cai da mãe
do filho
do pai
e
de tantos ....

beij

Unknown disse...

Retorno depois de muito tempo... e digo que valeu a pena!

=)

Állyssen

Mel de Carvalho disse...

ainda esta semana fui embracar a minha sobrinha que, à semelhança de tantos, procurou além o que falta ali...


beijo lídia. haja o que houver, estarei por aqui... ainda que eu própria, a qualquer momento ...
... quicá!!!

Mel

Sandra Subtil disse...

Infelizmente um poema de cada vez mais portugueses.
Um bom ano, Lídia!
Beijinho