Picasso
Banidos, ocupam
os lugares de ninguém
nas esquinas noturnas
sob a luz magra dos lampiões.
Como personagens saídas
das páginas de Victor Hugo ou
de um quadro acromático de Picasso
estendem a mão à caridade.
Da justiça dos homens, dessabem
e do céu cai apenas desamparo,
desalento,
às vezes chuva ou neve, às vezes, nada.
Os mendigos são cada vez menos
pintura ou literatura.
Abandonaram palcos, telas e livros
e habitam agora, outra vez, o real.
De terem chegado assim
repentinamente e sem aviso
os meus olhos febris, ardem. Temo que ceguem
como outros vão cegando, ao meu lado,
tomados pelo hábito de os ver
não vendo, por isso, que a barca que os trouxe
tem lugar para muitos mais.

18 comentários:
Um beijo, sem comentários.
Está tudo dito no texto e na imagem e os autores, como ficou dito e provado na entrega de prémios da SPA, têm que ser a voz dos mais desfavorecidos,jamais se podem votar ao silêncio, como aqui, da forma mais bela, porque a palavra também é "uma arma".
Sempre.
É triste que nos "acostumemos" com esse cenário. Mas acontece. Comprovadamente.
Passamos a ver essas pessoas - e quem diz que não podemos ser nós, um dia? - como parte da "paisagem". A princípio dói. Depois, vai deixando de incomodar e sendo "natural".
Não é. Não pode ser.
A dignidade humana vai se perdendo, cada vez mais, infelizmente, quando mais um de nós deixa de enxergar esses seres humanos.
bjos
A febre, que escalda
é da alma
Os olhos quase só servem para chorar...
Mas estamos no limiar de ver
em vez de à beira de cegar
(Picasso gostaria do teu poema)
Lídia,
Grata por lembrar, que "os lugares de ninguém",são afinal, os de todos nós!
A poesia também abana e espicaça consciências,(é preciso ter consciência é claro!),e os encantadores de palavras sabem chegar lá sem ser grosseiros e vulgares.
Bem haja, por saber usar tão bem as palavras para desinquietar.
Beijinho.
TRISTEZAS QUE FAZEM PARTE CADA VEZ MAIS DOS TEMPOS VIVIDOS!!!
1 BEIJO LÍDIA
*
Aí vêm pelos caminhos
Descalços, de pés no chão,
Os pobres que andam sozinhos,
Implorando compaixão.
Vivem sem cama e sem tecto,
Na fome e na solidão:
Pedem um pouco de afecto,
Pedem um pouco de pão.
,
in Olavo Bilac,
,
marés de igualdades,
deixo,
*
"A barca que os trouxe tem lugar para muitos mais"...
Estamos de volta a um país de branco e negro de que nos custou tanto a sair.
Bj
J
Como os sapatos novos que fazem uma viagem longa a uma cidade vizinha
As tristes meias velhas e gastas do andarilho calejado
A esconder a dor ou a melancolia em acordes dos quadriculados
Fase azul de um Picasso nos retalhos daquela mulher mendiga
Luminárias e luminosos são seu Sol nas cobertas ao entardecer
Não aquecem nem trazem esperança para quem só ganha por esmola...
Poucas ou muitas as palavras subordinadas a menor recompensa.
in http://bestiariovirtual.blogspot.com.br/2012/04/o-crivo-e-migalha-ou-freud-interpreta.html.
Um cordial abraço de poeta!
E são cada vez mais!
Um beijo
Este blogue é depurado e muito bom.
O poema e a imagem escolhidos são muito belos, embora pese a dura realidade...
bj
Muito bonito!
Bjs
Não cedem os olhos e jamis poderá ceder a Alma de quem assim escreve.
Beijo
Não cedem os olhos e jamis poderá ceder a Alma de quem assim escreve.
Beijo
No fundo é esta a triste e dura realidade. Beleza de imagem!
Bjs
Revela sensibilidade para a dor Humana.
Aprecio essa qualidade.
Uma boa noite para Si.
Oi Lídia
lendo seu poema lembrei da frase de outro poeta que diz que para muitos o Sucesso é Sobreviver e a vida continua sendo boa,
pungente poema e tela de Picasso
Obrigada pela beleza de sentimentos e facilidade de expressar em sons que ouço daqui ( a poesia tem som) rs
abraços abraços Lídia
parabéns, sempre
( já tem algum livro editado?)
Um poema actual e cheio de tantos pobres que este tempo nos trouxe.
Vivem sozinhos sem nada nas mãos.
Perderam a esperança nos olhos e de tantas promessas azuis que outros cegos lhe fizeram........
os olhos ardem de tanto a enxergar,
beijo
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