Jeannette
Woitzik
As coisas que penso, as
coisas que leio,
as coisas que oiço
e até as outras
coisas em volta destas
perdem o sabor e o viço de um saber novo.
Ares outonais.
Reconheço-lhes os sinais quando
elejo do mundo
o lado mais afeito para caminhar.
Uma tendência natural dos
pés – dirão uns.
Economia de esforço – julgarão
outros.
Amorfismo da razão…
Talvez isso
Ou talvez não!
Aproximo-me de tudo pelo
lado que já sei.
Com os mesmos passos,
passo por onde já andei
e tudo é a mesma coisa.
Uma coisa,
tomando o lugar de outra
coisa, que se não ousa,
não vá tornar-se, essa outra coisa,
na imutável, entediada e mesmíssima coisa.
Calo-me agora um pouco
para não cansar as
palavras
[repetidos ecos deste incerto estado de coisas].
[repetidos ecos deste incerto estado de coisas].

32 comentários:
As coisas que pensas, as coisas que lês ou as que ouves.
Mas há ainda as coisas que calamos. E não é para não cansar as palavras...
Beijinho
Amiga Lídia, gosto quando tu filosofas nos poemas. Sou um apaixonado pela filosofia.
Um abraço.
Tenhas um ótimo dia.
É muito natural que nos aproximemos das coisas "pelo lado que já sabemos". Acho que é até automático. Quando buscamos o entendimento de algo, sem que sequer nos apercebamos, já o estamos vendo com base no que conhecemos, por onde caminhamos...
O mais importante, para que não fiquemos pela estagnação ou facilitismo, é ter em conta o aviso que vem a seguir:
"Uma coisa,
tomando o lugar de outra coisa, que se não ousa,
não vá tornar-se, essa outra coisa,
na imutável, entediada e mesmíssima coisa"
Beijos
Percebo-te poeta
Mas não te cales por muito...
As palavras são como um músculo
Afrouxam, se lhes falta o uso
E o silêncio delas prolongam o eco
do incerto
Oi Lídia
Somos mais ou menos como alquimistas montando seu atellier_ juntando os passos cada um a seu dia somando as carências multiplicando a ansiedade e ... prosseguindo,
Ainda é a paisagem que cura as nossas dores,
mesmo que seja sempre a mesma rua.
Linda poesia,
* estou de volta aos comentários e aos amigos,
com saudade,
deixo beijos
Lídia,
As palavras não cansam quando saem da alma, do coração e são partilhadas...como estas que nos deixas.
Beijinhos
Ana
... entretanto...
para lá dos sentidos
mesmo que os olhos não vejam
tudo se move
e nos transporta
A capacidade das coisas de se tornarem indefinidas curvas, indefinidos poderes, humanos definidos, coisas... e o medo das coisas, " ecos deste incerto estado de coisas".
Beijo
Laura
Calar um pouco
para ouvir o silêncio
Abraço!
Meu Deus Lídia..., cada vez gosto mais da poesia por aqui!
Mais um poema que me encheu as medidas, a ombrear com todos os grandes poetas que conhecemos.
Beijos
Há sempre mais a descobrir dentro de nós, se tivermos a capacidade de silenciar. Soltemos o que está em nós, permitamos que as palavras fluam.
Envolvente Lídia,
as suas palavras
os seus sentires.
Um beijo
cecilia
E talvez por isso a sua poesia seja tão brilhante... Adorei!
Beijinhos.
Lídia,
faço minhas, em absoluto, as palavras do Rogério. que este "calo-me agora um pouco" seja muito breve e que, num pestanejar de verbo, voltes.
estarei aqui, ou perto, porque, Lídia, ler-te é, verdadeiramente, um absoluto privilégio.
beijo daqui
Mel
Virtudes da rotina, que também as tem.
Mas próxima está a primavera.
bjs
Mas estas palavras não cansam.
Adorei.
Bjs
Quem sabe se nesse silêncio, que agora te é necessário, as palavras não te convencem a ousar o que não tens ousado ;-)
Um beijinho
Ouso? Não ouso?....
Vou ousar dizer algo que me parece estranho... quando disso me lembro, claro... mas este poema sugere-me um pensamento que se está a tornar recorrente nestes últimos anos;
Pensei, quando me lancei - loucamente e "às cegas" - na blogosfera apenas munida de uma infinitude de sonetos pressentidos, que a imensidão deste espaço virtual me permitisse vislumbrar novíssimas formas de expressar e sentir as "coisas". Aconteceu-me, aqui, exactamente neste poema, descobrir que mais alguém "sente" que isso não é tão óbvio nem tão fácil quanto parecia, de início...
Não me angustiou, mas surpreendeu-me que assim fosse... porque será que, mesmo sem opressões ou sentimentos de claustrofobia, por vezes sentimos que precisaríamos de mais espaço para além deste espaço aparentemente infinito?
Beijo grande, Lídia!
as palavras são tanto...
... e tão pouco!
as tuas sedutoras. sempre.
beijo
No silêncio uma mistura de coisas querendo se transformar em coisa lapidada.
Beijos!
Alcides
Quando nos aproximamos das coisas pelo lado que já sabemos é porque ainda a ser importante a nossa zona de conforto.
A poesia é alimento que entra e sacia, mas também vicia num desejo ardente.
É bom passar por aqui e beber nesta fonte. Perceber que os versos são lentos e crescem nos silêncios que nos acordam os lamentos.
Somos e fazemos coisas a cada ciclo da vida...
Beijo Lisette.
Minha querida
Que os poetas nunca calem as palavras ,que façam delas uma arma.
Sempre um prazer imenso ler-te.
Um beijinho com carinho
Sonhadora
Sempre sábias e envolventes as suas palavras.
Beijo carinhoso
Ao comentar também eu tenho receio de cansar as palavras! tantas vezes aqui repito: que poemas!
Bjs
para não cansar as palavras...Um texto de semântica rica e prazerosa leitura
Aproveito para abraçá-la já que aqui passei a procura dos seus versos,
que a semana seja feliz Lídia
Uma bela reflexão, em palavras muito bem conjugadas com a foto!
Beijo, boa semana
As coisas novas são cada vez menos e, por isso, resta-nos um novo olhar para as mesmas coisas...
Magnífico poema. Gostei,como sempre.
Lídia, minha querida amiga, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.
O passar da vida, o desenrolar de todas as coisas que a vão preenchendo. Lindissimo poema.
Bom domingo
Beijinhos
Maria
o poeta Drummond profetizou "que triste são as coisas consideradas sem enfâse"
beijo
e por falar em coisas
desabrochou um poema sábio e gratificante ler
e
calar
a saborear as palavras
uma boa semana
um beijo
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