quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Coisas...


Jeannette Woitzik

As coisas que penso, as coisas que leio,
as coisas que oiço
e até as outras coisas em volta destas
perdem o sabor e o viço de um saber novo.
Ares outonais.
Reconheço-lhes os sinais quando elejo do mundo
o lado mais afeito para caminhar.

Uma tendência natural dos pés  –  dirão uns.
Economia de esforço  –  julgarão outros.
Amorfismo da razão… Talvez isso
Ou talvez não!

Aproximo-me de tudo pelo lado que já sei.
Com os mesmos passos, passo por onde já andei
e tudo é a mesma coisa. Uma coisa,
tomando o lugar de outra coisa, que se não  ousa,
não vá tornar-se,  essa outra coisa,
na  imutável, entediada e mesmíssima coisa.

Calo-me agora um pouco
para não cansar as palavras 
[repetidos ecos deste incerto estado de coisas].




32 comentários:

JP disse...

As coisas que pensas, as coisas que lês ou as que ouves.

Mas há ainda as coisas que calamos. E não é para não cansar as palavras...

Beijinho

Dilmar Gomes disse...

Amiga Lídia, gosto quando tu filosofas nos poemas. Sou um apaixonado pela filosofia.
Um abraço.
Tenhas um ótimo dia.

Mateus Medina disse...

É muito natural que nos aproximemos das coisas "pelo lado que já sabemos". Acho que é até automático. Quando buscamos o entendimento de algo, sem que sequer nos apercebamos, já o estamos vendo com base no que conhecemos, por onde caminhamos...

O mais importante, para que não fiquemos pela estagnação ou facilitismo, é ter em conta o aviso que vem a seguir:

"Uma coisa,
tomando o lugar de outra coisa, que se não ousa,
não vá tornar-se, essa outra coisa,
na imutável, entediada e mesmíssima coisa"

Beijos

Rogério G.V. Pereira disse...

Percebo-te poeta
Mas não te cales por muito...
As palavras são como um músculo
Afrouxam, se lhes falta o uso
E o silêncio delas prolongam o eco
do incerto

lis disse...

Oi Lídia
Somos mais ou menos como alquimistas montando seu atellier_ juntando os passos cada um a seu dia somando as carências multiplicando a ansiedade e ... prosseguindo,
Ainda é a paisagem que cura as nossas dores,
mesmo que seja sempre a mesma rua.
Linda poesia,
* estou de volta aos comentários e aos amigos,
com saudade,
deixo beijos

Anónimo disse...

Lídia,

As palavras não cansam quando saem da alma, do coração e são partilhadas...como estas que nos deixas.

Beijinhos

Ana

Mar Arável disse...

... entretanto...

para lá dos sentidos
mesmo que os olhos não vejam
tudo se move
e nos transporta

Laços e Rendas de Nós disse...


A capacidade das coisas de se tornarem indefinidas curvas, indefinidos poderes, humanos definidos, coisas... e o medo das coisas, " ecos deste incerto estado de coisas".

Beijo

Laura

marlene edir severino disse...

Calar um pouco
para ouvir o silêncio

Abraço!

Branca disse...

Meu Deus Lídia..., cada vez gosto mais da poesia por aqui!

Mais um poema que me encheu as medidas, a ombrear com todos os grandes poetas que conhecemos.

Beijos


OceanoAzul.Sonhos disse...

Há sempre mais a descobrir dentro de nós, se tivermos a capacidade de silenciar. Soltemos o que está em nós, permitamos que as palavras fluam.

Envolvente Lídia,
as suas palavras
os seus sentires.

Um beijo
cecilia

Anónimo disse...

E talvez por isso a sua poesia seja tão brilhante... Adorei!

Beijinhos.

Mel de Carvalho disse...

Lídia,
faço minhas, em absoluto, as palavras do Rogério. que este "calo-me agora um pouco" seja muito breve e que, num pestanejar de verbo, voltes.
estarei aqui, ou perto, porque, Lídia, ler-te é, verdadeiramente, um absoluto privilégio.
beijo daqui
Mel

Armando Sena disse...

Virtudes da rotina, que também as tem.
Mas próxima está a primavera.
bjs

Rita Freitas disse...

Mas estas palavras não cansam.

Adorei.

Bjs

Mª João C.Martins disse...


Quem sabe se nesse silêncio, que agora te é necessário, as palavras não te convencem a ousar o que não tens ousado ;-)

Um beijinho

Maria João Brito de Sousa disse...

Ouso? Não ouso?....

Vou ousar dizer algo que me parece estranho... quando disso me lembro, claro... mas este poema sugere-me um pensamento que se está a tornar recorrente nestes últimos anos;
Pensei, quando me lancei - loucamente e "às cegas" - na blogosfera apenas munida de uma infinitude de sonetos pressentidos, que a imensidão deste espaço virtual me permitisse vislumbrar novíssimas formas de expressar e sentir as "coisas". Aconteceu-me, aqui, exactamente neste poema, descobrir que mais alguém "sente" que isso não é tão óbvio nem tão fácil quanto parecia, de início...

Não me angustiou, mas surpreendeu-me que assim fosse... porque será que, mesmo sem opressões ou sentimentos de claustrofobia, por vezes sentimos que precisaríamos de mais espaço para além deste espaço aparentemente infinito?

Beijo grande, Lídia!

Manuel Veiga disse...

as palavras são tanto...

... e tão pouco!

as tuas sedutoras. sempre.

beijo

A Palavra Mágica disse...

No silêncio uma mistura de coisas querendo se transformar em coisa lapidada.

Beijos!
Alcides

Catarina disse...

Quando nos aproximamos das coisas pelo lado que já sabemos é porque ainda a ser importante a nossa zona de conforto.

Unknown disse...

A poesia é alimento que entra e sacia, mas também vicia num desejo ardente.

É bom passar por aqui e beber nesta fonte. Perceber que os versos são lentos e crescem nos silêncios que nos acordam os lamentos.

ONG ALERTA disse...

Somos e fazemos coisas a cada ciclo da vida...
Beijo Lisette.

Sonhadora (Rosa Maria) disse...

Minha querida

Que os poetas nunca calem as palavras ,que façam delas uma arma.
Sempre um prazer imenso ler-te.


Um beijinho com carinho
Sonhadora

Sandra Subtil disse...

Sempre sábias e envolventes as suas palavras.
Beijo carinhoso

Lilá(s) disse...

Ao comentar também eu tenho receio de cansar as palavras! tantas vezes aqui repito: que poemas!
Bjs

ediney santana disse...

para não cansar as palavras...Um texto de semântica rica e prazerosa leitura

lis disse...

Aproveito para abraçá-la já que aqui passei a procura dos seus versos,
que a semana seja feliz Lídia

Isa Lisboa disse...

Uma bela reflexão, em palavras muito bem conjugadas com a foto!

Beijo, boa semana

Nilson Barcelli disse...

As coisas novas são cada vez menos e, por isso, resta-nos um novo olhar para as mesmas coisas...
Magnífico poema. Gostei,como sempre.
Lídia, minha querida amiga, tem um bom resto de domingo e uma boa semana.
Beijo.

Maria Rodrigues disse...

O passar da vida, o desenrolar de todas as coisas que a vão preenchendo. Lindissimo poema.
Bom domingo
Beijinhos
Maria

Unknown disse...

o poeta Drummond profetizou "que triste são as coisas consideradas sem enfâse"


beijo

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

e por falar em coisas
desabrochou um poema sábio e gratificante ler
e
calar
a saborear as palavras

uma boa semana

um beijo