sábado, 9 de fevereiro de 2013

Dos poemas sem dono



Imagem net
Chove
Mas isso que importa*
se a primavera, gota a gota,
já se nota  
nas folhinhas prematuras da roseira?

Há até uma pequena flor amarela
[reparo agora nela]
dádiva aberta na velha floreira.

Como um sol
ou poema que acumulou energia
e explodiu subitamente à  luz do dia
sem precisar que um poeta o fizesse
sair de si para lhe chamar seu.

Dos poemas sem dono, 
rompendo do nada, que sabes tu? 
Que sei eu?




*Em itálico, versos de José Gomes Ferreira
do poema intitulado: "Chove"






23 comentários:

Unknown disse...

haveria dono para a voz que se imanta na sílaba do verso,



beijo

Mª João C.Martins disse...


E, "do nada", as palavras colhem a cor luminosa do sol, para falarem da simples razão de existirem na renovação de tudo o que é vivo.

Um beijinho

Isabel disse...

Muito bonito o poema e a foto. É sua a foto?

Bom domingo!

Branca disse...

Tão belo Lídia!

Também eu hoje reparei nas flores que já despontam, mas dizê-lo como tu não sei...perdi a inspiração, o ânimo, porque sempre fui uma aprendiz das palavras, trago-as presas no silêncio da alma à espera que um dia voltem a florir.

São realmente "poemas sem dono" estas prendas da natureza e passam pela transparência dos teus versos para o nosso Universo.

Aproveito para corrigir "desabrochar" no comentário anterior.

Beijos
Branca

chica disse...

E tantos poemas sem dono como esse acontecem na natureza...LINDO!!! beijos,chica

a d´almeida nunes disse...

Mas que coincidências, neste dia a amanhecer sorumbático (talvez seja o meu modo de sentir esta manhã dum dia cinzento no centro oeste de Portugal... só isso)!
Venho do blogue da Isabel Soares (horizonte sem horas) e também ela se inspira no José Gomes Ferreira e na sensação da chuva e da sua influência sobre alguns dos nossos momentos.
Não deixei lá nenhum comentário, não consegui, hoje estou sem vontade. É isso, sem vontade, apetecia-me ficar sem fazer nada, deixar-me ficar na cama e esperar...

Belo e inspirado poema.

Bom Domingo, Lídia.

Anónimo disse...

Lidia,

Consigo ver a florinha amarela a desabrochar... tão belo.

Beijinhos

Ana

Unknown disse...

"que sabes tu, que sei eu..."
Poema muito bonito anunciando a Primavera.
Gota a gota nasce uma flor na esperança de outras flores que fazem acontecer a Primavera.

Sonia Schmorantz disse...

Tuas escolhas continuam sendo muito especiais!
Uma ótima semana
beijo

Maria Rodrigues disse...

Os poemas e a primavera ao florescer encantam a nossa alma. Excelente escolha.
Bom domingo
Beijinhos
Maria

Mel de Carvalho disse...

que sabemos nós da vida,
minha querida Lídia?

que sabemos se
"...é destino de quem ama ouvir um violino até na lama"?

chove? que importa?

beijo daqui
Mel

Rogério G.V. Pereira disse...

O Zé é da família
Ele e eu nunca colhemos uma flor
nem colocámos um poema
num vaso.

Os poemas não devem ser colhidos
Não têm donos
são de todos

Graça Sampaio disse...

Bela glosa, Lídia! Sei que o Zé Gomes Ferreira gostaria de a ler.

Beijinhos.

António Je. Batalha disse...

Seu blog é óptimo, lindas poesias, não sou poeta mas gosto de uma boa poesia, e aqui encontram-se não uma mas dezenas de lindas poesias, gostei dou-lhe meus parabéns.
Com votos de grandes vitórias.
PS. Se desejar fazer parte dos meus amigos virtuais, faça-o de forma a que possa encontrar seu blog para segui-lo também.
Sou António Batalha.

lino disse...

Um belo poema!
Um beijo

Anna disse...

De poesia sabes tu, minha querida... E eu leio-te e calo-me... Quando for grande quero saber fazer versos como tu, pode ser?

Beijo

Lilá(s) disse...

Tão belo o poema! trouxe-me logo á memória as flores lindas que ontem se cruzaram comigo numa caminhada pela mata.
Bjs

Manuel Veiga disse...

os poemas vadios fazem o milagre da Poesia...

gostei, deveras!

beijo

Unknown disse...

Poema antecipa primaveras!

Beijos,

Mateus Medina disse...

Sabemos muito pouco, é verdade.

Mas, ainda sem saber, consegue sempre nos pôr a sentir... de repente, fez-me primavera =)

beijos

Mar Arável disse...

São mimosas

senhora

Sandra Subtil disse...

Que delícia de poema! Os seus são também meus! Quando os leio e me tocam, e me ficam na pele.
Beijinho

AC disse...

Lídia,
Essa pequena flor amarela é o poema que todos gostaríamos de escrever.

Beijo :)