Ah!... Esta sensação de nada sentir
Posta em sobressalto a um canto da
alma!
Pergunto porque floresce mais devagar
A magnólia, este ano.
Um mutismo gélido toma-lhe as pétalas
Efémeras. Ainda mais efémeras.
O que quer que tenha acontecido
Aconteceu fora dos ramos,
No alheamento das raízes e da seiva.
Aconteceu-nos
O que quer que lhe tenha acontecido.
E como aves poentes, os sentidos
pousam
Fazendo seu o tom sombrio do solo.
Restam algumas palavras
Pálidas pétalas caídas.
E mesmo essas, como se fosse noite
No sonho findo de alguém,
Voltam-se para dentro de si
E dormem o sono cego
Das coisas caóticas, antes do poema.

14 comentários:
este quase poema transborda em lirismo
beijo
Um poema muito bonito, Lídia. Gosto muito de magnólias.
Beijinhos
Sobreposição de planos, necessários à organização interior de um reconhecimento aparente "de nada sentir".
Visões "de um quase poema", acabado.
Beijo
Laura
Não é desacordo
É um mero desencontro
de momentos
pois também os tenho
como descreves
nos versos que escreves
Não é desacordo dizer-te:
as palavras certas
não são pétalas
são asas
que se soltam de nós
em cada madrugada
(mesmo depois de um sono cego)
Que venha o poema
O caos foi um momento de pesadelo
Restam as pétalas. Efémeras....como a felicidade.
Mas sempre fica o poema.
Beijo
Nada sentir é sentir alguma coisa
até ao florir das palavras
Um poema inteiro, nas tuas mãos... Tão belo...!
Um beijo
Se este é um «quase poema», imagino como seria se fosse um poema inteiro...
Muito belo. Muito triste. Muito nós.
poema em carne viva.
beijo
Lindo querida amiga. Tens uma seara fértil de sentires. Adorei. Beijos com carinho
... ' dormem o sono cego' Lídia
sensação de vazio e de pétalas ao chão!
versos pungentes , reais.
abraço
Entre o "vazio", o efêmero e o caótico, um quase poema que eu sinto como mais que um poema...
bjos
Gostei muito do poema e da fotografia. Acho as magnólias lindíssimas.
(Já vi a frase de Camões)
Um beijo
Somos nós que deixamos de florescer...
Belíssimo poema!
Beijinhos.
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