quinta-feira, 7 de março de 2013

Momentos


                                                                                                                                                     Milashevich 

Na bruma dos dias, encontro agora
uma hora certa de ser mais feliz.
É o momento de te ver, amor.
Apareces num clic, só rosto…
É com o sorriso que me abraças
e com o dizer “Mãe” que me beijas.

Faço, num instante, um colo com palavras
de linho e renda
e embalo-te como se fosses
criança, outra vez.

Mas, inesperadamente, és tu 
quem conta as histórias.
Falas da neve, dos veados no quintal
da luz quebrada que tudo sossega,
do frio, do gato que te seguiu até casa
para ocupar  [ainda que só por um dia]
um lugar no sofá vazio.

E seria tudo quase perfeito,
não fosse a plasticidade deste ecrã,  entre nós,
paralisar-me os dedos  
quando, num gesto inadvertido 
procuro arrumar-te os cabelos em desalinho. 

Para ti, flor

18 comentários:

JP disse...

E como há horas felizes ...

o amor de mãe não tem horas. Ou tem-nas todas.

Beijinho

Anna disse...

Às vezes precisamos tanto do colo dos filhos...! E os muros doem-nos tanto!

Um beijo para as duas

Laços e Rendas de Nós disse...



À distância, a distância...

Beijo

Laura

Armando Sena disse...

Especialmente tocante, hoje, que para além de mãe, se comemora o dia da Mulher.
Beijo

Mar Arável disse...

Todos os dias
uma mulher em flor

Unidos contra muros e amos

Bjs

Unknown disse...

que ciranda mais bela,


beijo

poetaeusou . . . disse...

*
Arrendadas Palavras,
de Puro Linho !
,
Marés de Luz,
deixo,
*

Mel de Carvalho disse...

... minha querida Lídia, e agora? choro ou rio? como se alguém entrasse no meu mundo de afectos e colocasse aqui aquilo que não soube escrever...
(e ambas sabemos de que falamos...)

beijo e o meu ENORME obrigada. pelo tanto e pelo tudo e por hoje, o nosso dia.

Mel

Mona Lisa disse...

Momentos que só uma mulher sente!

Que ternura de poema!

Beijinhos.

Manuel Veiga disse...

envolvente poema no seu desamparo...

belíssimo

beijo

Rogério G.V. Pereira disse...

Sabe-la bem é um conforto
É pouco?
Eu sei, eu sei
Tenho 220 páginas a falar de ausências

...que em breve lhe alinhes os cabelos...

Isabel disse...

A perfeição não existe!
Por isso valem todos os momentos de felicidade possível.
Um beijinho

Branca disse...

Lindo, terno e comovente!
É como se neste poema estivessemos todas, as mães de meninas e meninos da idade das(dos) nossas(os), neste mundo tão inseguro, que nos faz senti-las(os) ainda tão meninas(os), tão desprotegidas(os).

As nossas flores!

Beijos

Rita Freitas disse...

Palavras de uma alma de mulher.

Bjs

Maria Rodrigues disse...

Há momentos que perduram eternamente no nosso coração.
Belissimo poema.
Bom fim de semana
Beijinhos
Maria

Lilá(s) disse...

Senti como meu este belo poema, a distância é também minha inimiga...vale-me o pequeno ecra para matar a saudade que é tão grande.
Beijinhos

AC disse...

Eles crescem, e os gestos acabam por ficar contidos...
Maravilhoso!

Beijo :)

vida entre margens disse...

Emocionou-me este belíssimo poema!
Em cada palavra a saudade cravada na pele de uma mãe...de uma mãe que ama, que cuida , que zela...como se o tempo não tivesse passado, ou tivesse parado, no momento do afago em que lhe compunha os cabelos em desalinho...

Sei do que fala...sei o que sente. Felizmente existe este ecrã mágico onde podemos sonhar...Beijinho meu!!