segunda-feira, 29 de abril de 2013

Dança marioneta, dança!



De tantas voltas e rodopios
O povo já não quer dançar
Mas o marcador do ritmo
Segura à rédea  os fios 
Sem tréguas no manobrar.

Dança marioneta, dança!

Faz uma dança de roda
Em binário [mal] composto
Um vira valseado
Que de estar fora de moda
Não vira como é suposto

Dança marioneta, dança!

Um malhão fora do tom
Uma chula e um corridinho
A bater bem o tacão.   
E em mesuras de ocasião
Um bailinho, pianinho.

Dança marioneta, dança!

A  pífaro e gaita de fole
O ritmo da farrapeira
E o regadinho do norte
Que de baile tão sem mote
Se curva à sua maneira

Dança marioneta, dança!

De norte a sul o fandango
Já se deixa adivinhar
Nas voltas da má sorte
Que para enganar a morte
Corta e não cose o pano a remendar.

Não te cansa, este dançar?







22 comentários:

Vítor Fernandes disse...

È uma dança deliciosa este meu bailado sobre a sua poesia.
Muito boa.

Penélope disse...

As danças tem que surgir leves e soltas, assim, naturalmente. Nada forçado ou em passos tão gastos...
Lindo poema, Lídia. Beijinhos e carinho, sempre!

JP disse...

Acho que andamos todos feitos umas marionetas...

E, pelos visto, não cansa.

Beijinho

Sandra Subtil disse...

Genial!

Muito a propósito do dia que se comemora e dos tempos que vivemos .

Beijinho

chica disse...

Linda poesia crítica.Belo trabalho! És demais!


Por aqui também , o povo sempre "dançando"

beijos,chica

Mar Arável disse...

A complexidade do simples

Bjs

Flor de Jasmim disse...

Minha querida belissimo poema em homenagem deste dia.
Adorei amiga, boa semana

beijinho e uma for

Rogério G.V. Pereira disse...

Vira, Valsa
Malhão, Chula
Corridinho, Bailinho
Farrapeira, Regadinho

Fandando, sapateando

Dizia, certo senhor
"São precisos dois
para dançar o tango"

É aí, poeta,
que acorda a marioneta
e se cansa
de tanta dança

(bonito, isto)

Graça Sampaio disse...

Belíssimo! Ao jeito de Pedro Homem de Mello! E cheio de significado!

Parabéns uma vez mais. Beijinhos

São disse...

Gostei imenso do poema e quanto ao fundo musical foi uma maravilha escutá-lo!

Grato abraço

bea disse...

E tanto cansa quem dança sem vontade de dançar.
quem dança para não morrer. Porque não morre a esperança em quem, assim dança

Unknown disse...

Dançar conforme a música nem sempre é fácil... um dia a marioneta se cança... um dia o país se cansa!
Beijos.

Laços e Rendas de Nós disse...


Gosto disto! Um beijo.

Laura

Daniel C.da Silva disse...

Significativo, no que se pretende homenagear... bem contado e escrito.

Bjo amigo

Lilá(s) disse...

Belo poema, quase dancei ao som do fundo musical!
BJs

Unknown disse...

quantos passos a bailar



beijo

Graça Pereira disse...

Cantilena...cantiga de mal dizer...ai tanto que nós bailamos, mesmo sem querer!!
A propósito...adorei!
Graça

Branca disse...

Lídia,

sempre genial!
Despertadora de consciências!

Bela música de fundo!

Beijos

Maria Emilia Moreira disse...

Tantas voltas temos dado nesta dança infernal e o resultado é péssimo...
Quando iremos dar os passos certos?!
Um abraço.
M. Emília

ana disse...

Pertinente.
Achei graça porque também andei pela dança e rodopio... não de forma tão pungente.
Um beijo. :)
Bom feriado.

lis disse...

Estás sempre a nos fazer bailar ...
e dessa dança quero sempre entrelaçar os braços,
_ e na tua poesia deliciosamente leve.
um abraço Lídia
*( achei super interessante a Olívia e não me causou confusão alguma _ pensava em ti de várias formas ...
Penso que como escritora fez bem revelar-te ,
mas sabe que vez ou outra me acomete ser outra? rs preciso combater a sensação do esconderijo também,
(dificilmente me revelaria ),rs
Gostei do encorajamento pelo prêmio,
será sempre a Lídia, Olívia ou Olídia,como quiseres,
te gosto sem nome sem rosto porque as palavras já cumprem o papel da poeta.
abraço

AC disse...

Um dançar que é penar...

Beijo :)