Sementeira
O poeta
faz agricultura às avessas:
numa única semente
planta a terra inteira.
Com lâmina de enxada
a palavra fere o tempo:
decepa o cordão umbilical
do que pode ser um chão nascente.
No final da lavoura
o poeta não tem conta para fechar:
ele só possui
o que não se pode colher.
Afinal,
não era a palavra que lhe faltava.
Era a vida que ele, nele, desconhecia.
Mia Couta (2011:p.71), Tradutor de Chuvas

14 comentários:
Olá Lídia! Estive ausente para tratamento de saúde, mas estou voltando com a certeza de poder continuar contando com a tua amizade.
Belíssima escolha que fizeste com este poema de Mia Couto. Parabéns!
Beijos e muita paz pra ti e para os teus.
Furtado.
E parabéns ao Mia, pelo prémio Camões.
Belo poema.
Bjos
Tantos de nós desconhecemos, em nós, a própria vida...
Beijo
Contagiante aussi,é perceber luz e transparência tua,amiga fraterníssima
viva la vie
E Mia que bem semeia, enxerta e faz florescer a Língua Portuguesa!
Beijo
Laura
Um grande trabalhador da palavra!
Um Beijo
Ele escreve muito.
Mas você sabe dizer muito com as palavras.
abraço
Muito bom! Prémio muito bem atribuído!
Mas tu também «dizes» tudo muito bem, Lídia!
Beijinho
Excelente escolha Lídia, um poema que gosto muito!
Um prémio bem merecido.
beijinho e uma flor
Gosto muito de Mia Couto. Foi um prémio merecido.
O poema escolhido é lindo.
Obrigada, Lídia, pela partilha.
Beijinho. :)
Excelente.
Bjos
é um mestre,
beijo
Um prémio merecido. Lídia obrigada pela visita e pelo comentário. Beijinhos
Um prémio que só peca por ser tardio.
Beijinho
Enviar um comentário