imagem google s/ ind. de autoria
Os
rohingya vivem em campos
de
onde não estão autorizados a sair.
Sem
cuidados médicos, sem trabalho,
sem
protecção do governo,
que
lhes exige que renunciem à sua identidade.
Jason Szep, - Sittwer - Birmânia (in Jornal Público
26 maio 2013)
Era pelo
silêncio que eu seguia
a contornar
vagarosamente
o verde novo
das árvores,
a evitar o
canto dos pássaros
que matizava o
ar.
Levava nuvens
anoitecidas atadas
ao cabelo e a
cada flor que morria
contorcia as
mãos no desespero
de a não poder libertar.
Da pedra dura do
silêncio arranco, enfim,
as páginas
onde li os destroços e a morte.
Páginas sobre
páginas
de atrocidades e ódios amontoados,
ininteligíveis.
de atrocidades e ódios amontoados,
ininteligíveis.
Outra vez os campos
de concentração
onde só a dor e o sofrimento extremo vingam.
Fico aqui de braços prostrados
pedindo água
à Poesia.
Fala-me do Anjo
da História, a Poesia.
E de como
também ela tem as asas presas,
os olhos e a
boca postos em espanto.
De como
também ela se queda, em terror,
no mutismo invencível
do incomunicável.
Fala-me de
como vai perdendo a esperança
na humanização da Humanidade.*
Em negação, dedilho coisas pequenas:
o sono do
gato, o beijo do sol nas cerejas
o flavescer lento
dos limões…
Até me
surpreender com o prosaísmo da lágrima,
palavra sobrevivente
que não [me] salva.
* Expressão de António Nóvoa
Revista Criatividade, Público (26 maio 2013)

9 comentários:
E o silêncio é a única voz que se ouve nesses campos de concentração....
E como também vamos perdendo a esperança na humanização de Humanidade.
Beijinho
Intyenso por sí só crônica essa amiga caríssima
saudades
Ricardo
Viva la vie
Dói, dói sempre...
(A poesia não se pode alhear, nunca)
Beijo :)
Pois é amiga Lídia, a poesia comprometida com a realidade pode sangrar,porque o homem ainda está passando pela etapa da humanização.
Um abraço. Tenhas uma linda semana.
do silêncio viceja a sílaba, a saliva, o verbo
beijo
Profundo e comovente!
Boa semana querida
beijinho e uma flor
O silêncio, uma fonte de ensinamento.
Silêncio e poesia caminham muitas vezes de mãos dadas e no silêncio dos poemas descobrimos a imensidão do sentimento.
Muito lindo este poema Lídia.
Beijo
A poesia tem as asas presas mas voa num sentir livre :) Adorei
O que me espanta, DE VERDADE, é o silêncio dos poderosos que arranjam sempre uma boa desculpa pra invadir países quando lhes convém... e isso? O que é preciso mais para que se una uma força capaz de cessar esse absurdo?
Belo poema, como sempre =)
bjos
Enviar um comentário