terça-feira, 14 de maio de 2013

Que crepúsculo é esse nos teus braços?




                                                                                                                   Cristian Schloe


Que fazes aí sentado, 
com as mãos sobre os joelhos, 
nessas vestes de esquecimento?

Não vês como convergem as borboletas
num só sentido? 
E, por isso, é forte a sua leveza
e não haverá vento que as vença
vontade déspota que permaneça
nos limites das suas asas.

Soam ecos indeléveis do  inevitável  voo,
natural como a luz do sol, 
como os dedos da chuva, os pingos do luar. 
Que crepúsculo é esse, nos teus braços?

Se os dias se não cumprem  
fora dos ponteiros cegos do relógio
de onde te vem esse vagar-poente?




16 comentários:

Rogério G.V. Pereira disse...

Se os dias se não cumprem...

(que bela e oportuna interpelação!)

vida entre margens disse...

Há quem diga, que a união faz a força...mesmo na fragilidade.
Excelente e pertinente reflexão sobre os dias cansados, como se urgente fosse... abraçar o crepúsculo!

Um beijo!

Laços e Rendas de Nós disse...


Se onde me vem, Lídia? Do poente para onde caminho e dos poentes que carrego...

Interrogações à vida!

Beijo

Laura

Flor de Jasmim disse...

Profundo Lígia!
também acho que os ponteiros continuam cegos.

beijinho e uma flor

Graça Sampaio disse...

Assim está o país, não é, Lídia? «sentado com as mãos nos joelhos», «os dias não se cumprem». «esse vagar poente» Muito bem conseguido!

Lilá(s) disse...

Fico-me com a beleza das palavras!
Bjs

Mar Arável disse...

Solte-se o voo

Há sempre uma luz
no outro lado do cais

Bjs

Graça Pereira disse...

Os dias que não se cumprem...morrem ao sol poente...
Demasiado belo!
Beijo
Graça

Unknown disse...

os ponteiros abarcam o abraço das horas que urgem



beijo

Sandra Subtil disse...



Assim vão os dias, o país e o próprio ser humano que não é imune à passagem inexorável do tempo.
De uma riqueza belíssima !
Beijinho

Emília Simões disse...

Que crepúsculo será este que nos envolve e retarda o amanhecer. Belíssimo poema. Beijinhos Ailime

Armando Sena disse...

Fiquei "agarrado" pelo título.
E descendo, confirmei que o texto ainda o supera.
Um belíssimo poema.
Beijo

ana disse...

Gostei muito, mesmo!
Beijo.

Pérola disse...

perguntas...talvez não existam respostas..

beijos

Manuel Veiga disse...

lassos - os laços!
porém
jamais baços!...

belo. o poema

Maria Rodrigues disse...

É o crepúsculo dos sonhos que partiram deixando as magoas em seu lugar. Belissimo poema.
Bom domingo
Beijinhos
Maria