respirado no inverso destas partículas de ar
infetadas, espessas de alienação.
Segue-se o mergulho
em mil devaneios confusos:
os estames da flor, em
forquilha
num arbusto que os olhos nunca viram,
uns retoques de azul num
rosto magoado
Uma maçã vermelha, [envenenada]
semelhante em tudo a uma mentira.
No semblante, nenhum rio ou
mar
dá guarida ao barco de
papel atracado
entre os
dedos.
A verbosidade fácil escorre das bocas de uns
[distantes dos barcos parados em mãos feitas para marear]
e o "far nient" de outros a imperar,
a atingir, sem cansaços, um doce
despropósito.
Prestes a azedar!?
Sobre as cabeças como cinza acesa, cai
o burburinho constante das
incredulidades,
a vulnerabilidade crescente
das
coisas belas do mundo, da vida
e, em reflexo, o fluxo e o refluxo do
sangue
a rugir, desnorteado,
erguendo a voz, rasgando alguns corações
a rugir, desnorteado,
erguendo a voz, rasgando alguns corações
desmantelando mapas,
credos, constelações.
Contudo, até ao fim do caminho,
haverá sempre um caminho por onde ir
bastando para isso que o caminhante
o faça existir.
o faça existir.
A imagem é uma recriação (minha), óleo sobre tela com 1:10 m x 68cm,
a partir de uma pintura de Adélio Sarro que já aqui publiquei.
14 comentários:
Desmantelando tudo, Lídia. Até as nossos pensamentos mais íntimos.
Que bem transcreves a situação do momento que é tão cinzenta. E no entanto com palavras tão vivas, tão brilhantes!
Beijinhos
Graça
Se fosse o fim
levava os meus cães
Bjs Poeta amiga
Muito bonito.
Por acaso fui logo ver de quem era a tela, mas não estava identificada. Lembra-me alguma coisa de Almada Negreiros, não sei porquê.
Acho muito bonita a pintura.
Um beijo
Oi Lídia! Passando para te cumprimentar e apreciar mais uma das tuas belas criações.
beijos e muita paz pra ti e para os teus.
Furtado.
Na verdade,
Todos ansiamos dentro de uma busca complexa. Procuramos respostas à deriva em nós – dentro, nos outros, na distância a parecer-nos diferente, possível. Sempre que nos assalta a dúvida, nos trespassa um destino, entendemos - importante é continuar até ao fim do caminho!
mfc
um poema a se trilhar: em todos os seus caminhos
beijo
Amiga Lídia, eis um poema belo poema. O tom sombrio e amargo não retira a qualidade do mesmo.
Um abraço. Tenhas uma boa noite.
Lídia
gostei muito da pintura de Adélio Sarro, que não conhecia. Estive a ver na net e tirei algumas imagens. Coloquei uma num post.
Venho agradecer-lhe, por me ter dado a conhecer, aqui no seu blogue,o artista.
Obrigada.
É bom ler este belo poema, no meio desta insanidade política em que nos lançaram.
Bjs
"Contudo, até ao fim do caminho,
haverá sempre um caminho por onde ir
bastando para isso que o caminhante
o faça existir."
Versos rectos, com cor dentro
Duas telas. Gosto delas...
Isabel,
esta tela foi pintada por mim. É uma reprodução conforme referencio, abaixo do poema.
Se vir bem, fica longe do original. ;) Ainda assim... Eu gosto.
Lídia
Sim, eu vi.
Gostei muito da sua tela e fui procurar o original.
Também gostei do original e procurei mais trabalhos do autor.
Dou-lhe os parabéns pelo seu talento, também para a pintura.
Bom fim-de-semana!
A pintura é uma arte excelsa.
Esta reprodução é bonita e vejo-a como um exercício. Pinte como a escrita o que lhe vai na alma.[Sorry]
Beijinnho. :)
alarguemos as veredas - por nossos pés...
beijo
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