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as sílabas não
são já o meu brinquedo de infância preferido
as palavras deixaram
de ser a matéria incandescente
que em
laboratório usei para dizer os primeiros afetos
e dar nome às
coisas insubstituíveis
para
perpetuar o nunca perpetuável
as palavras vão
envelhecendo comigo
algumas já desapareceram simplesmente
sofro-lhes a
ausência contudo cada vez mais
preciso de
menos palavras
talvez por isso
muitas delas recolhem-se já no silêncio
misteriosamente
dóceis abstêm-se do canto e do pranto
e até as mais
viçosas e alegres se enrolam à sombra
na soleira da
tarde
antes que
anoiteça, antes que eu me afunde
ou me
transforme em pedra
dá-me um
poema dos teus
com sabor a maçã a lima ou hortelã
para perfumar
com ele os meus derradeiros sonhos

18 comentários:
Perante esta beleza fico sem palavras...retiro-me em silêncio!
Abraço
Poeta, leste o que escreveste?
Perfuma-te, tens no teu poema todos os sabores que me pedes.
Olá Lídia,
As palavras vão consagrando
os gestos, colhidos do afeto
que renascem poesia,
essencialmente bela...
Belíssimo este teu espaço
de arte poética!
Bj.
que belo poema
muito
beijo
Nada melhor que um poema assim antes que anoiteça! Lindo! beijos,chica
Numa pessoa como a LÍdia as palavras não envelhecem, enriquecem.
Abraço grande
Um travo a fim... mas também uma passagem a uma maturidade que so o silencio dá... esse, que não precisa já das palavras...
Muito bom, mas não muito optimista.
Bj.
Irene Alves
podes pensar que te faltam...mas as palavras nunca te vão faltar!
a suavidade do poema e a sua construção sólida e perfeita.
a foto está muito bem a acompanhar.
beijo
:)
Um poema belo, fresco e aromático. :)
Beijo
Um poema realista e verdadeiro, Lídia.
Abraço grande.
Lídia,
Não posso estar mais de acordo, cada vez mais as palavras necessárias são em menor número.
Gostei do poema. :)
Um beijo.
Simplesmente genial Lídia!
Para ti as palavras nunca faltarão porque sempre as saberás transformar e redefinir e traduzir com elas o silêncio...profundo dos dias.
Beijos
Continuo sem palavras...
... mas o certo é que este poema, além de extraordinariamente belo, é mesmo muito verdadeiro...
Beijo!
Vão-se as palavras... tornam-se desnecessárias com a chegada dos anos... mas, no entanto, deixam a alma repleta de sabedoria que palavra alguma consegue substituir... Tudo ao som de Claire de Lunne... LInnnndo!
Abraços, minha querida!!!
Lídia,
Cada vez vão sendo necessárias menos palavras. Com os anos, já tantas nos fazem companhia!
beijinho.
É no silêncio que a Poesia vibra mais alto...
Belíssimo momento, que meus olhos contemplaram!
Abraço e bom fim de semana!
Do silêncio e no silêncio o poema se fez.
Lindo!
bjs
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