quarta-feira, 28 de agosto de 2013

antes que anoiteça

imagem google


as sílabas não são já o meu brinquedo de infância preferido
as palavras deixaram de ser a matéria incandescente
que em laboratório usei para dizer os primeiros afetos
e dar nome às coisas insubstituíveis
para perpetuar o nunca perpetuável  

as palavras vão envelhecendo comigo
algumas já desapareceram simplesmente
sofro-lhes a ausência contudo cada vez mais
preciso de menos palavras
talvez por isso muitas delas recolhem-se já no silêncio
misteriosamente dóceis abstêm-se do canto e do pranto
e até as mais viçosas e alegres se enrolam à sombra
na soleira da tarde

antes que anoiteça, antes que eu me afunde
ou me transforme em pedra
dá-me um poema dos teus
com sabor a maçã a lima ou hortelã
para perfumar com ele os meus derradeiros sonhos



18 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Perante esta beleza fico sem palavras...retiro-me em silêncio!

Abraço

Rogério G.V. Pereira disse...

Poeta, leste o que escreveste?
Perfuma-te, tens no teu poema todos os sabores que me pedes.

Suzete Brainer disse...

Olá Lídia,

As palavras vão consagrando

os gestos, colhidos do afeto

que renascem poesia,

essencialmente bela...

Belíssimo este teu espaço

de arte poética!

Bj.

Unknown disse...

que belo poema
muito


beijo

chica disse...

Nada melhor que um poema assim antes que anoiteça! Lindo! beijos,chica

São disse...

Numa pessoa como a LÍdia as palavras não envelhecem, enriquecem.

Abraço grande

Daniel C.da Silva disse...

Um travo a fim... mas também uma passagem a uma maturidade que so o silencio dá... esse, que não precisa já das palavras...

Silenciosamente ouvindo... disse...

Muito bom, mas não muito optimista.
Bj.
Irene Alves

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

podes pensar que te faltam...mas as palavras nunca te vão faltar!

a suavidade do poema e a sua construção sólida e perfeita.

a foto está muito bem a acompanhar.

beijo

:)

deep disse...

Um poema belo, fresco e aromático. :)

Beijo

dade amorim disse...

Um poema realista e verdadeiro, Lídia.
Abraço grande.

ana disse...

Lídia,
Não posso estar mais de acordo, cada vez mais as palavras necessárias são em menor número.
Gostei do poema. :)
Um beijo.

Branca disse...

Simplesmente genial Lídia!
Para ti as palavras nunca faltarão porque sempre as saberás transformar e redefinir e traduzir com elas o silêncio...profundo dos dias.

Beijos

Maria João Brito de Sousa disse...

Continuo sem palavras...


... mas o certo é que este poema, além de extraordinariamente belo, é mesmo muito verdadeiro...


Beijo!

Penélope disse...

Vão-se as palavras... tornam-se desnecessárias com a chegada dos anos... mas, no entanto, deixam a alma repleta de sabedoria que palavra alguma consegue substituir... Tudo ao som de Claire de Lunne... LInnnndo!
Abraços, minha querida!!!

maria eduarda disse...

Lídia,
Cada vez vão sendo necessárias menos palavras. Com os anos, já tantas nos fazem companhia!
beijinho.

vida entre margens disse...

É no silêncio que a Poesia vibra mais alto...
Belíssimo momento, que meus olhos contemplaram!

Abraço e bom fim de semana!

Sônia Brandão disse...

Do silêncio e no silêncio o poema se fez.
Lindo!
bjs