Planto uma árvore bem no centro do poema.
Abrigo-me do calor, respiro-a e ganho tempo.
Gosto de a ver crescer.
Deixo que os sentidos se percam na oscilação das folhas
verde-claro, verde-escuro, escuro, claro num bailado com o vento
Impressiona-me a resistência dos troncos,
a bondade da seiva nos ramos.
Nunca tive uma casa na árvore. Como sonhei com ela!
Com o tempo aprendi a ter em cada árvore, uma casa
de cortinas verdes que filtram a luz e perfumam o pensamento
Nela a poesia nasce como passarinhos dos ovos
como frutos das flores, como raízes da terra.
Faltam-me sempre árvores:
a cerejeira que subia até ao pátio da casa da avó
para oferecer as cerejas rubras e doces,
a figueira ao fundo do quintal da infância,
o salgueiro à beira-rio, os enormes plátanos da vila,
as oliveiras carregadinha de símbolos e azeitonas
as tílias frondosas da avenida,
os altos pinheiros, os carvalhos, os sobreiros…
Debruço-me cada vez mais sobre elas
e vejo-as dizimadas pelo fogo,
chamas gigantes de incúria e crueldade. Falta-me o ar.
Conheci uma terra – a terra do sempre
onde a soberania das árvores impera sobre
a construção, o negócio, a madeira ardida.
Tão diferente desta terra do nunca mais...
onde árvores e pessoas são negligenciadas,
maltratadas, desvirtuadas, deslembradas.
Sem direitos que o Direito ardeu
quando a Beleza e a Vida deixaram de contar
para o homem sumido do Poder, hoje.
para o homem sumido do Poder, hoje.
12 comentários:
O poema ao serviço da realidade!
Tanta árvore dizimada!
Também eu tenho a memória cheia de verde, de ramos, de folhas...
Abraço
Logo ao ler o poema fui tendo vontade de morar neste poema árvore.
Mas ele me chamou para a realidade, a realidade da negligência que é tão grande.
abraço
Como eu gosto de árvores! Bonito poema, Lídia. :) Bjs
Que bem (d)escrito! E tão sentido!
Muito bom!
Beijos da terra do sempre.
Na verdade
Bjs
Bom dia Lídia, um poema belíssimo em que os sentimentos puros, cristalinos, verdes como as árvores que povoam a memória de quem ama a natureza são exaltados e jamais serão destruídos, porque enraizados ninguém pode ousar aniquilar. Um beijo Ailime
a soberania das árvores, belo
beijo
Inspiradoras e admiráveis.
Sempre.
As árvores
e a tua poesia.
Beijinho grato :)
poema-denúncia. pungente e belo...
beijo
Uma perfeita ode à arvore, que sim, dá um belo tema.
E termina de forma majestática. Gostei muito.
Beijo amigo
Poderá o homem mudar? Ou a ganância, também ela, faz parte dos ininterruptos ciclos?
Ah, Lídia, vale-nos o olhar dos poetas...!
Beijo :)
Não podia passar por estas "Árvores" sem lhes deixar o meu abraço...eu sei lá viver sem as ver, sem as lembrar...
Outro para si, Lídia!
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