Estou aqui
vendo o sol nascer à hora
de ser noite.
Os relógios não falam a
minha língua
e o meu corpo vive uma
vida só dele.
Fiapos, nuvem esfarrapadas
falas soltas mal
articuladas
descem rasando a vanidade da luz.
descem rasando a vanidade da luz.
Liberta-se
agora uma frase completa
sem voz que lha não concedo.
Por sobre o meu pensamento flutua.
É como um insecto indistinto zunindo
zunindo monocórdico.Fluido
cósmico
que atravessa o espaço perfurando
a luz.
Cheira a éter.
Deixo-o ardendo.
Habituo-me ao sibilo agudo
e no habituar o
esquecimento.
Capto do lado oposto uma outra frase fresca
e sã
como se ma tivesses dado numa
manhã de primavera
Fujo com ela para uma casa vazia.
Percorro-a, peso o orvalho às sílabas. Meço
o perfume ao sentido e sinto
que floresceu.
Encontro-te, Serenidade
Talvez possa agora ignorar
o sol
e a sua alegria lampeira no despertar.
Talvez possa agora dormir.
Dia fora
até que se faça hora de
ser dia.
Este não é já o "sol da meia-noite", na Noruega pois, nesta altura do ano, o pico do verão já passou. Mas é o sol das 4 horas da manhã que só pelas 23 terá o seu ocaso.
Sinto alguma dificuldade em dormir, apesar das cortinas negras. Escrevo. Prestável se faz a luz.
Este não é já o "sol da meia-noite", na Noruega pois, nesta altura do ano, o pico do verão já passou. Mas é o sol das 4 horas da manhã que só pelas 23 terá o seu ocaso.
Sinto alguma dificuldade em dormir, apesar das cortinas negras. Escrevo. Prestável se faz a luz.
15 comentários:
Uma experiência diferente que imagino bem interessante!
Beijos
Que cadência, a destes versos! Gosto, até posso dizer que me deixaste algo meditabundo, ante tanto arte no escrever.
Também confesso que algum termo me levou ao dicionário. É que isto de não estar ao dia, nota-se.
Abraços de vida e parabéns
Este poema trouxe-me à memória as fascinantes noites brancas da tão bela cidade de Sampetersburgo...
Sobre a grande perda que a morte de Urbano Tavares Rodrigues significa para a cultura portuguesa , falei no meu blogue "são"
Bom regresso de férias.
Amiga Lídia, eis um poema lindo, lindo, lindo! Gosto muito deste estilo intimista, sobretudo, quando os versos são densos e bem construídos. Parabéns!
Agradeço tua vista lá no meu modesto espaço.
Um abraço daqui do frio sul do Brasil.
Tenhas uma linda semana.
Uma experiência inigulável.
Linda sua foto, grande beijo em seu coração e bela semana.
Muito bonito mesmo.
Bjs
Bonita foto, bonito poema, mas isso não é novidade.
Mais uma experiência pra vida. Acho que teria imensas dificuldades também, mas o pior deve ser quando é ao contrário... 20 horas de noite, sem a luz do sol.
Bjos
Belas memórias
Bj
Simplesmente maravilhoso.
Como eu precisa de encontrar essa serenidade que tão longe de mim tem andado ...
Beijinhos
Maria
aqui o português que fui alhures me fez saudades do que não tinha sido,
se tivesse estado. aqui o português
que fui nenhures me fez navegante, exílios, paisagens, belezas. aqui estou em casa, o mundo inteiro.
b
less
Às vezes a Serenidade a encontramos onde a procuramos... e fica a memória dessa frase fresca e sã
É quando leio poemas como este que me lembro quão pequenina sou...
Como ouso pensar que escrevo?
Beijinho
a hora de ser dia há de acontecer, talvez num arrebol do olhar
beijo
essa noite esse sol em inspiração alta a alma da Poeta
que bem escreves!
:)
Olá Lídia, um poema tão belo que me deixou submersa no brilho das suas palavras reflectidas na imagem magnífica que partilha. Um beijinho. Ailime
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