domingo, 25 de agosto de 2013

um extenso azul de ninguém

Jeff Larson 


um extenso azul de ninguém. sem fim.
lugar de nadas, fonte apenas, tanto!
e a descrença natural no não sentido
a inverdade do racional [izado].

a palavra nua e solta
em bulício no cérebro. em volta
revoadas de gestos na mão que escreve
dolorosamente.

cansam-me a intimação das vozes
e os adivinhos dos tempos modernos.
não conseguirão levar-me a vestir esse uniforme 
mal alinhavado de um  “dever ser” insano e injusto. descansem.

desacreditam-se a si próprios os vesgos que se crêem
luzimentos, amplitudes e claridades  
em frente de espelhos mágicos cujo reflexo
se desenha em contornos difusos e dissimulados. 

falarei aos peixes, talvez
mas não serei eu a tecer-lhes  teias ardilosas
para ver se caem ou não, no engodo envenenado.





10 comentários:

chica disse...

Te ler é mágico.lindas palavras que saem tão bem de ti! beijos,chica

Luna disse...

podemos pagar um alta fatura por sermos fieis a nós mesmos, ainda assim vale a pena
beijinho

São disse...

"Um extenso azul de ninguém" é uma imagem linda condizente com o fundo musical, de facto.


Bom resto de domingo

Teté M. Jorge disse...

Precioso, demais!!!

Beijos.

Graça Sampaio disse...

«não conseguirão levar-me a vestir esse uniforme»... a mim também não, Lídia!

(Como sempre) muito bem descrito!

Beijos, ó revolucionária!

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

o azul!
sempre!
seja mar ou céu ou tão somente o POEMA.
muito bom

Beijos

:)

Daniel C.da Silva disse...

Bonita construção poética...

beijo

Mateus Medina disse...

Os adivinhos são doutores, dizem. Sabem tudo como uma precisão que vai sendo reajustada de acordo com as conveniências.

Bjos

Flor de Jasmim disse...

não é fácil vestir uniformes que nos apertam, sufocam-nos, estrangulando-nos as veias de um sangue que não queremos envenenado.
Boa semana Lídia

beijinho e uma flor

Rogério G.V. Pereira disse...

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