Sooni Kim
além enfurecida ficou a cidade
ruge aos
transeuntes surdos
árias diferentes (dizem)
tecidas nos
mesmos teares
únicas e puras invariavelmente
todas as sílabas
são de ar
vazias como caixas de vento
bebo-lhes de
um trago a cor
que lavra no
seio das raízes
a pulsação de forças inconfessas.
o tempo é uma
sombra oblíqua
de insondáveis passos sem rota definida
gastei o
verão até ao fim
em inúteis fraquezas
regresso
agora à terra humedecida
a luz
debruça-se materna
sobre as
coisas translúcidas da manhã
como sempre
acontece quando a visão se dilata
a chuva canta
só para mim e os meus sentidos
entregam-se-lhe
porque ela é fonte.
e ao olvido
porque ele é manso.

8 comentários:
O tempo é oblíquo, mas eterno e imóvel, e de chuva gosto pouco.
Mas adoro Leonard Cohen, que felizmente vi ao vivo em Lisboa, há anos.
Bons sonhos.
uhh que poema
beijo
Que chovam relâmpagos
Bj
Belíssimo poema, Lídia! E dessa fonte que jorra gotas de água balsâmica beberemos a esperança. Um beijinho Ailime
águas mansas se dissolvem em nós e na tarde....
:(
Tudo parece mais calmo depois dos temporais...
Belo, Lídia.
Beijo.
"todas as sílabas são de ar
vazias como caixas de vento..."
isto é poesia, Lídia. a tua escrita nunca pára de me surpreender. encontras sempre novas formas de dizer o verbo.
bem hajas
beijo daqui
Mel
Adorei! Bji
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