Anahí Lazzaroni
não
fossem tão pobres as palavras
que
me restam
e
diria a cor das paredes para lá do branco
que
cai vertical sobre os rodapés
o
canto de um galo vem
rasgar
a solidão do instante e num ímpeto
velhas
crianças irrompem de uma frincha do tempo
para
encher de verde o vale da memória
debruça-se sobre o pátio ao longe
o rumor da luz de outono
pousando
coroas douradas nas copas das árvores
nas correrias e nas cantigas de roda que esvoaçam
não
fossem tão pobres as palavras
que me restam
e
havia de arrancar das paredes em largas pinceladas
o riso franco das crianças a música das searas
a
alegria doce das maçãs e dos figos a chuva miudinha
gotas de azul salpicando o painel
e os poemas que ao amadurecerem
se
me enredam nas mãos
porque
a voz tropeça na morfologia do vento
sem querer soletrar nuvens trovões ou invernias
não
vão as crianças encher-se de frio ou medo
e
partir em bandos apressadamente
como
as aves
a voz arrefece na iminência do silêncio

19 comentários:
Reflexóes num serão de Outono, que me encantam.
Beijos
Oi Lídia
Vou deixar um trechinho de Rubem Alves que deixei lá no meu blog e lembrei-me enquanto lia seu poema :
'...as flores dos flamboyants, dentro de poucos dias, terão caído. Assim é a vida. É preciso viver enquanto a chama do amor está queimando...'
Há toda palavra em ti Lídia e delas dependemos nós todos que amamos a beleza da poesia,
obrigada _ muito lindo !
Se são assim as tuas palavras quando pobres imagina como seriam se fossem ricas!:)
Gostei muito do poema!
Abraço
tão pobres as palavras se enlevam e elevam-se
beijo
E pintar-se-ia um arco-íris no solo.
Preciosa esta falta de palavras! :)
Um beijo
Laura
Com pobres palavras se escrevem belos poemas
é o desafio encantador
Boa tarde Lídia, tão belo o seu poema e tão rico em memórias e sentimentos que me emocionei! Pobres e parcas são as minhas palavras para tecer um elogio como merece. Muito obrigada por este sublime momento poético. Um beijinho. Ailime
Boa tarde Lídia
Lindo poema!
Contendo o sonho de um amanhecer coberto de alegria, paz e amor!
O resgate além do que nosso olhar pode alcançar!
uma linda semana para você!
abraço amigo!
Maria Alice
Não podem ser pobres as palavras que dão tão rico poema!
Um beijo!
Muito bom! Gostei muito, Mesmo muito!
Quanta beleza, mas quanta amargura...
Beijinho.
Pobres palavras esssa que me tocam tanto, porque aprecio poemas com grande profundidade, como é o caso!
Bjs
Li e reli este poema. Escreveu com figuras literárias de grande beleza e que nos transportam nestes sonhos de crianças.
"e os poemas amadurecem
..../...
sem querer soletrar nuvens de trovões ou invernias"
Palavras que enriquessem a alma.
Cresço, quando aqui passo...
beijinho
cecilia
Um outono que tende a alastrar-se na paisagem humana - mas ainda com um toque de esperança - e que a riqueza das palavras retrata de forma sublime.
Beijo :)
Que bom,numa tarde cinzenta de outono,ler estas palavras ao som de "verdes anos" lindo sem mais adjetivos.
Beijinho
Belíssimo! Bji
Pobres só no nome pois um poema rica de emoção...
Beijo Lisette.
Mas aqui tuas palavras
intensificam
Belo, Lídia!
Beijos!
nem sempre as palavras são ricas...cabe ao Poeta as enriquecer...
:)
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