quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Dos tempos

                                                                                                     Alphonse D’Heye


Não fossem embaçadas e vazias, as silhuetas  
- equívoco dos olhos, claramente -
e a fotografia tirada hoje bem podia
ser a mesma de antigamente.

Fossem vivas as formas como o são nitidamente
na memória de outros tempos, neste dia,
e terias da família, a fotografia
guardada na moldura, em tua mente.

Cada ano, à mesa, menos gente
menos os que jogam aos pinhões
o rapa, tira, deixa, põe
dá lugar a outras distrações
usadas p'las crianças com destreza  
como contando, do futuro,
estranhas façanhas e proezas.   

As histórias do passado, sempre iguais: 
mil sorrisos, uma lágrima,
a trazer à mesa a luz acesa de outros natais.
Poeira fina, sobre as cabeças, fulgente,
à mistura com o aroma do mel e da canela
nas iguarias de sempre.

De resto…
Uma aberta no tempo presente.


14 comentários:

Mar Arável disse...

Por essa aberta

é que vamos

Bjs

anamar disse...

Obrigada pela visita, Lídia...

Bom ano e sempre em poesia...

Vale a pena comprar a revista

EGOÍSTA DESTE MÊS. Simplesmente bela

e dedicada à poesia.

Bom ano.

Abracinho

Rogério G.V. Pereira disse...

Há coisas que vão mudando
embora o poema que escreveste
bem podia ser o poema de antigamente
tal como a fotografia tirada hoje

Há coisas que vão mudando
entre mil sorrisos e uma lágrima

Falemos disso, dessa aberta no tempo presente.

Jaime A. disse...

Entre o passado e o presente movemo-os. Tantas vezes parece que estamos no limbo com o ontem a transbordar para o hoje...
Bom 2014.

Daniel C.da Silva disse...

Muitíssimo bem retratado.

Continuação de Boas Festas!

Graça Sampaio disse...

Se tivesse de colorir este poema, pintá-lo-ia de castanho mel todo ele e de rosa os dois últimos versos.

Muito bonito, Lídia. Como sempre, aliás!

Bom Ano!

Isabel disse...

Triste mesmo, apesar de tudo igual, é serem menos à mesa...

Muito bonito o poema e a imagem escolhida, como sempre!

Continuação de Boas Festas!

Unknown disse...

...e o tempo vai semeando ilusões como se fossem reais.
Muitas vezes me pergunto se os meus olhos vivem apenas no passado e de lá arrancam as imagens que nos confundem.
São assim estes os presentes vistos num espelho do tempo e mostram-nos tantas diferenças.

O Puma disse...

Tudo pelo melhor

nos amanhãs

Bj

Flor de Jasmim disse...

Lindo!
Lídia que o ano novo seja recheado de saúde, paz e amor, para ti e aqueles que te são queridos.

Beijinho e uma flor

Daniel C.da Silva disse...

Venho desejar-lhe Um FELIZ 2014 onde os seus posts possam espelhar alegria e amor...

Um beijinho amigo

Armando Sena disse...

Cheiros e aromas desta quadra festiva.
Votos de um feliz 2014.
beijo

Emília Simões disse...

Boa tarde Lídia, belíssimo poema!
A poesia exalta as lembranças gravadas no coração deixando jorrar emoções de sempre, apesar do tempo.
Um beijinho e Feliz 2014!
Ailime

Rui Pascoal disse...

O tempo ("rapa, tira, deixa, põe"),
esse pião que gira sem parar...
que nos faz rir e chorar.

Bem haja pelas suas palavras.