domingo, 8 de dezembro de 2013

Sem o crepitar da lenha, dezembro, ainda…

                                                                                                                   Donald Zolan


É assim, por vezes:
na mente um tumulto
a perturbar o sossego,
coisas esquivas voando em bando.
Coisas de não se darem a escrever
de tão apartadas das mãos.

Sombras-meninas espiando,
rindo ocultas por entre os versos
como num jogo de esconde-esconde
 - Não me apanhas, não me apanhas!

É assim, por vezes:
os duendes, fabricantes de sonhos
adormecem, mortos de cansaço
[que, cada vez mais, um sonho custa.]
Então pego neles entorpecidos 
e deito-os sob a manta de retalhos da vida.

Assim, no fundo de tudo,
de tanto fardo, de tão rara leveza
nunca chegarão a saber
do desencanto de Jesus.
Nunca chegarão a saber que Ele
perdeu a confiança nos homens.

E, desiludido, já não sabe
se deseja ou não 
nascer, outra vez.

Já não sabe, já não sabe...



22 comentários:

chica disse...

Lindo te ler,profundidade mesclada com beleza!beijos,chica

Maria João Brito de Sousa disse...

... não hesitaria, Lídia, não hesitaria...


Abraço grande!

Rogério G.V. Pereira disse...

" ...coisas esquivas voando em bando.
Coisas de não se darem a escrever
de tão apartadas das mãos."

Que crepite a lenha


Val Cruz disse...

Não, não. Eu acredito! Se pelo menos um acreditar com todo amor, haverá salvação para os homens. Penso que deve existir mais uns espalhados pelos cantos desse mundo. Toda diferença esse uns fazem!

Um beijo minha querida.

Anónimo disse...

Oi Lídia! Passando para te cumprimentar e me deliciar com mais um dos teus belos poemas.

beijos, um bom domingo e uma ótima semana pra ti e para os teus.

Furtado.

Duarte disse...

O crepitar da lenha passou ao arrefecimento do aquecedor, perdeu encanto, não posso ver o baile da chama quando vai decaindo em intensidade… quanta beleza!!!
Abraços de vida, por tão belo poema...

Fê blue bird disse...

Um desencanto que partilho amiga Lídia.
Jesus não faz parte deste Dezembro.

beijinho

Shirley Brunelli disse...

Lindo poema, Lídia, que me fez pensar...Jesus, sendo um espírito muito, muito evoluído, Mestre dos mestres, de tão grande bondade, talvez ainda viesse, pela segunda vez, tentar salvar a humanidade que insiste em só engatinhar...
Beijos!

Filoxera disse...

Gostei muito deste poema.
A imagem de deitar os duendes, então, está fabulosa...
O desencanto, em poesia, tem, pelo menos, uma aura de beleza.
Beijinhos.

Mar Arável disse...

Crepitem as palavras
Dezembrando

Bjs

tulipa disse...

Há tempos que não comento aqui...

peço desculpa

pela minha ausência

espero regressar em breve!

Lindo!
Bjs

http://pensamentosimagens.blogspot.pt/

Teté M. Jorge disse...

Tocantes versos... de pura verdade.

Beijos e flores.

ONG ALERTA disse...

Mágico...
Beijo Lisette.

© Piedade Araújo Sol (Pity) disse...

pois é... o desencanto por vezes toma conta de nós e dos nossos sonhos...

temos de saber afastar as sombras (mesmo que meninas) e se for preciso voltar a nascer (porque não!)

beijo

:)

Laços e Rendas de Nós disse...


Também assim sinto!

Beijinho

Nilson Barcelli disse...

É sempre possível reanimar os sonhos entorpecidos.
Magnífico poema.
Lídia, tem uma boa semana.
Beijo.

Lilá(s) disse...

Também acho, que a desilusão é muita...são tocantes, os teus versos!
Bjs

Ana Tapadas disse...

Falas, minha amiga e grande poetisa, de tudo o que sinto neste momento...

bjs

O Puma disse...

Estimada amiga que nunca lhe falte a lenha
porque os sonhos estão sempre vivos
Bjs

Manuel Veiga disse...

recolnheço



sim. compreendo a tua amargura.

mas quero acreditar que "o menino-Deus" ainda habita nas pequenas coisa...

beijo







Thuan Carvalho disse...

o poema nasce, inda que não saiba.

LINDO.

AC disse...

Subtil leveza, subtil profundidade...

Beijo :)