domingo, 15 de fevereiro de 2015

Infância

Vladimir Volegov


a infância
que súbita asa
me devolve esta alegria casta
de senti-la?

longínquo eco a ressoar
na fascinação da lembrança

dispo as vestes deste reino
para onde me transmigrei...
[ingénua utopia!]
e regresso
para poder abraçá-la
e merecê-la, por um dia.

sujar os bibes brunidos
desprezar os sapatos de verniz
trepar às árvores, aos muros
não ouvir o que a avó diz.
esfolar um joelho no chão
perseguir gatos e pássaros
como fazia meu irmão
a gastar a infância
até ao último sopro da ilusão.

mas tu és menina
uma menina não…e não…
e não…e não…

regresso,
para poder abraçá-la
para lhe pedir perdão.