Vladimir Volegov
a infância
que súbita asa
me devolve esta alegria
casta
de senti-la?
longínquo eco a ressoar
na fascinação da lembrança
dispo as vestes deste
reino
para onde me transmigrei...
[ingénua utopia!]
e regresso
para poder abraçá-la
e merecê-la, por um dia.
sujar os bibes brunidos
desprezar os sapatos de
verniz
trepar às árvores, aos
muros
não ouvir o que a avó diz.
esfolar um joelho no chão
perseguir gatos e pássaros
como fazia meu irmão
a gastar a infância
até ao último sopro da
ilusão.
mas tu
és menina
uma menina não…e
não…
e não…e não…
regresso,
para poder abraçá-la
para lhe pedir perdão.