terça-feira, 22 de dezembro de 2015

das devoções




 Foram de hospedagem em hospedagem. 
De casa em casa. De porta em porta. 
 – “Aqui não há lugar”.




como uma avalanche
o desvario percorre a cidade
infiltra-se nos ouvidos
tumulto ruidoso
invadindo cada poro da pele
cada recanto da alma.

chamam-lhe “festa” mas não é mais
que um ensurdecedor de sentires
um inibidor de olhares.

de chapéu alto, luva branca e pingalim
o imperador impera. para isso foi criado.
imperiosa se faz, então, a comédia.
indispensável, a distração.
mandem vir os palhaços
os acrobatas
os malabaristas.
saltimbancos de todas os cantos do reino
é preciso rir
rir, rir, como quem não viveu ainda
como quem não sabe e não vê

aquela estrela trémula 
já quase apagada 
sob o peso da hipocrisia.
uma estrela na neve
tristemente soterrada.


2 comentários:

Maria Rodrigues disse...

A estrela do amor que infelizmente se vai apagando.
Belíssimo e sentido poema.
Lidia aproveito para lhe desejar um Feliz Natal e um Novo Ano pleno de alegrias, saúde, paz e amor.
Beijinhos
Maria

Rogério G.V. Pereira disse...

Meu Deus, Meu Deus
Que farei eu com o meu presépio?