sábado, 5 de dezembro de 2015

"Uma claridade que cega" Graça Pires

    
Ontem no Porto, Unicepe, em torno do "Uma Claridade que Cega" de Graça Pires que tive a honra de apresentar. A impressão mais forte: um grupo de velhos amigos que se reencontra, cheio de "histórias" para contar, de versos a transbordar dos bolsos, a saltitarem de mão em mão, (ainda que muitos de nós nunca se tivessem visto antes).
     Não sei se é do lugar, se das pessoas, se da Poesia. Inclino-me para a Poesia das pessoas e do lugar e com isto fica explicado tão maravilhoso convívio.
    O meu agradecimento à Graça Pires, Virgínia do Carmo, Rui Vaz Pinto e todas as pessoas bonitas que tive o privilégio de conhecer. Obrigada por me deixarem fazer parte destes momentos inesquecíveis.



 Deixo um excerto do meu texto de apresentação:

[...]

Outra marca visível na poesia de Graça Pires relaciona-se, sem dúvida, com o tempo. O tempo que surge asseverado, logo a partir da epígrafe, num verso de W.B. Yeats - As minhas meditações pertencem ao tempo que me tem transfigurado - o tempo que tudo transforma na sua caminhada ininterrupta até ao fim da viagem, até à morte. Mas não a morte apenas enquanto terminus da existência enunciada nestes versos - Pela respiração do mundo / sei que a vida me cerca/ com mãos inesgotáveis. - a morte também como metáfora, enquanto perda e ausência conforme se pode ver em - É agora o meu tempo acutilante do silêncio. / Faço o inventário inexplicável / dos pássaros que morrem todos os anos, / sempre em Novembro / sempre no fundo dos meus olhos/ […] E morro também de morte lenta.
A passagem do tempo e a morte são presenças evidentes que elevam ao nível do consciente o efémero da condição do humano, ideia esta que nos é transmitida de variadas formas. Entrega voluntária, por vezes – cito - Desvinculo-me de todos os enredos / para que a osmose da trevas e da luz / alcance o resgate do corpo/ que se retalha roçando o chão / e se dissipa em pleno voo”-  outras vezes o reconhecimento da finitude como norma reguladora da natureza – Sei que o tempo não se detém/ Os muros mais severos assinalam/ sem dissonância, a escrita repisada das águas/ que a idade guardou na borda das pedras.



 Quem pretender conhecer melhor a autora pode consultar:
 http://ortografiadoolhar.blogspot.pt/. Garanto que não se arrependerá.


6 comentários:

Mar Arável disse...

Bjs para as duas amigas poetas de referência

Graça Pires disse...

Lídia, já te disse do quanto me emocionaste com a apresentação que fizeste. Como soubeste percorrer os poemas como se fossem teus. Como encantaste todas as pessoas presentes com o que disseste. Só posso dizer-te: bem hajas.
Foi um fim de tarde tão caloroso que ainda me sinto abraçada por todos...
Obrigada. Um beijo.

Benó disse...

Um abraço às duas amigas, poetisas que admiro.

Menina Marota disse...

Um final de tarde memorável.
Grata a todos que o proporcionaram.
Um abraço.

São disse...

Beijinhos e muito sucesso para ambas !

Manuel Veiga disse...

admirável cumplicidade poética!

(o que eu perdi...)

beijos (repartidos pelas duas)