Jerôme Duquesnoy (1619), Manneken Pis, Bruxelas
por vezes percorro jardins de calcário
e sinto pena ao ver
as estátuas de pedra perecer
sem um gesto de libertação.
mas aquele menino talhado na rocha, não!
farto de urinar para a fonte abandonada,
numa certa madrugada, sem que se visse
o bicho que lhe mordeu, no meio do nevoeiro,
desapareceu.
dizem que foi obra de um pássaro azul
que lhe meteu asas na cabeça
e lhe encheu de utopias o coração.
por vezes escrevo jardins de calcário
com céus de nuvens e folhas de ulmeiro pelo chão.
por vezes, entre os canteiros,
passa lesto um menino nu
com um pássaro azul empoleirado
no oiro anelado de um caracol.
vão entretidos os dois
em festivas cantigas de sol
e conversas amenas
desentranhando das pedras
os mais estranhos poemas.

5 comentários:
... e assim diz a lenda
o menino de Bruxelas apagou um fogo
Bj
é tão bonito isto
e nem sei dizer porquê
talvez pelas estátuas perecerem, e tal me tocar
talvez pela fonte abandonada, e tal me tocar
talvez pelos feitos do pássaro azul
talvez pelo que se passa
nos trilhos de teu jardim
talvez
apenas e só
por um poema, assim
... fizeste-me lembrar do Rapaz de Bronze...
:)))
Beijinhos
Os poetas fazem poesia de qualquer pedra, simplesmente entretidos.
Gostei, de verdade E o acompanhamento musical suave e delicioso.
Olá Ligia,
Lindo este teu espaço. Gostei muito.
Beijo e bom ano
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