quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Para que se não melindrem os outros lápis de uma certa caixa de cores




do branco:
o timbre inaudível das silabas
subindo a cal do muro

do negro:
o descampado. A tristeza do olhar
quebrado contra a escuridão

Do azul:
lado a lado, o olhar da criança
e a luz de abril
esperando que um barco passe

do cinzento:
não tenho mãos que cheguem ao azul
construí meu ninho à sombra, sob as folhas

do amarelo:
um risco de sol
estirado no parapeito da janela.
gato ou vaso de narcisos?


do rosa:
acordas como se (re)nascesses
respira devagar. e agora, em surdina
canta

do vermelho:
a terra arde e nos sulcos a sede
em sangue dos cardos

do roxo:
as violetas
vinham-lhe à mão
beber os silêncios


do dourado:
um certo modo de encher o coração
do pó entornado das estrelas



5 comentários:

chica disse...

Lindo demais!Adorei! Todas cores contempladas! bjs, chica

Mar Arável disse...

São flores senhora

Bj

Rogério G.V. Pereira disse...

Poema-Arco-íris
desenhado à mão
ritmo de canção
de embalar
até ao dia
de acordar

Um dia
hás-de de me emprestar
teus lápis
talvez eles me ensinem
a desenhar um poema
que valha a pena


Manuel Veiga disse...

cores que são Festa.

adorei. muito bonito

beijo

AC disse...

A diversidade da democracia, em todos há valia, mesmo que sem o canto da cotovia.

Um beijinho, Lídia :)