domingo, 14 de agosto de 2016

Domingo, à tarde (observações)

pintura: Margarita Sikorskaia

magro distante indiferente, ele
passos de não estar ali,
uns passos adiante de tudo.


a criança, atrás, leve como uma pluma
em passinhos saltarilhados
de pardal caído do ninho.


ela, triste. o rosto,
uma pétala pálida, olheiras fundas.
o ventre redondo como uma lua toda.


uma nuvem escura (deve ser escura)
vai engolindo gomo a gomo o sol
que devia pertencer-lhes.


(reescrito)

1 comentário:

Graça Pires disse...

Um poema profundo e triste. Como se todas as lembranças tocassem a fragilidade da luz...
Um beijo, minha Amiga.