para que conste eu, Lídia, declaro
que nunca juntos nos
sentámos
puros
inocentes e pagãos
nas margens de um rio triste
a enlaçar e a desenlaçar
as mãos.
mais declaro que o poema onde
o poeta me prendeu
nunca me convenceu: ouvir
e ver a água a passar sem sonhos para navegar...
crer só por querer que tudo é nada...
como não ficar
desconfiada?
posta ali serenamente, as
flores caídas no regaço
parada breve ausente, à
espera do barqueiro
sem um gesto contra a corrente.
o Letes para percorrer e nada levar da vida
para em seu leito esquecer.
para em seu leito esquecer.
eu, Lídia, aqui declaro que
vale a pena correr
como a água, de rocha em rocha
cair, cantar, mil mortes sofrer
e de todas elas, renascer...
cair, cantar, mil mortes sofrer
e de todas elas, renascer...
digo que vale a pena ser
passar da palavra aos atos.
Lídias e Ofélias, no
silêncio dos retratos
deusas, musas entre lírios e camélias
deusas, musas entre lírios e camélias
são mudas e surdas e cegas. tão
belas!
pobres delas!
condenadas à má sorte
condenadas à má sorte
de perfumarem poemas onde se oculta
a morte.
imagem (pesquisa google s/ ind. autoria)
a morte.
imagem (pesquisa google s/ ind. autoria)

3 comentários:
Como não podia deixar de ser, belo e encantador poema, Lídia!
Beijo
Aceite a declaração.
Por outras e de mais testemunhos,
analisados os factos
encerrem-se o autos
e anule-se a pena.
O Juiz
Não me ocorre comentário suficientemente justo para esta mensagem poética construída nos meandros de uma alma tão expontâneamente artística e sábia.
Até doi de tão belo!
Beijos
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